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E eis que surgem as 'empresas virtuais'
Algumas empresas tiveram que passar de reais para virtuais e, outras, foram se desenvolvendo desde o início com a ajuda da Internet e só depois perceberam que estavam fazendo parte da era do teletrabalho. No Brasil, essas empresas ainda são pouco expressivas, mas algumas já começam a se destacar no mercado e a marcar sua posição. A M4 Interiores, que atua no segmento de design de interiores, é um exemplo de empresa que iniciou seu desenvolvimento virtualmente. De acordo com uma das sócias, Maria Alice Miller, a idéia surgiu naturalmente e não foi uma decisão planejada ou baseada em outras experiências. Uma outra empresa que teve o início virtual é a wwwriters Projetos, que é voltada à administração de informações para a Internet. “Começamos há um ano, numa época em que pouco se falava em conteúdo na web e, hoje, temos um nome reconhecido no mercado como administradores de informação”, explica Sônia Grisólia, uma das sócias. O funcionamento da empresa é 100% Internet desde a sua origem e, de acordo com Sônia, a sede da wwwriters é o site, ou seja, todas as equipes trabalham a partir de seus home-offices, fazendo com que os integrantes vivenciem a Internet cotidianamente como poucas empresas da área conseguem fazer. Por outro lado, o Studio 4922, que existe desde 94, foi se tornando virtual com o passar do tempo. “Trabalhamos na área de designer e decidimos usar a Internet e o ‘teletrabalho’ para facilitar nossos contatos. O Studio foi projetado para que a gente trabalhasse em casa e, conforme a empresa foi crescendo e o número de pessoas aumentando, optamos em cada um fazer o trabalho em sua casa, sem a necessidade de montarmos um escritório”, explica Daniela Castilho, uma das sócio-fundadoras. Além das empresas que já nasceram se adaptando aos novos conceitos do mundo do trabalho e às novas tecnologias, também existem àquelas que, num primeiro momento, se desenvolveram num escritório ‘físico’. É o caso da Pontonet, que atua na criação de novos sites. Carlos Nepomuceno conta que “primeiro montamos uma sala, mas por volta do ano de 97, com a crise econômica do país, tivemos uma grande queda de clientes e tivemos que nos organizar de outra forma. Por isso resolvi acreditar na empresa virtual”. Funcionários ou associados? Uma característica interessante dessas empresas virtuais é que elas não possuem funcionários, mas sim, associados. Daniela Castilho explica melhor essa nova posição: “Na verdade, temos vários associados, que trabalham em suas casas ou até possuem suas micro-empresas virtuais. O que acontece é que todos pertencemos ao ‘selo Studio’. Além disso, cada um pode fazer outros trabalhos, não existe uma total dependência, existe sim, um total comprometimento entre a gente. E isso é muito favorável, porque cada um possui o seu relacionamento externo, que pode render grandes frutos para a nossa empresa”, afirma. Assim, verificamos que as empresas virtuais podem contar com associados independentes, cada um com sua firma própria, ou não, já que também podem existir os associados registrados formalmente como funcionários da empresa. “As relações de trabalho podem ser iguais, com carteira assinada, cooperativas, freelancers, etc. O fato da empresa trabalhar online não interfere na forma de contratação. No entanto, a tendência é que os projetos virtuais comecem a encontrar formas de vínculos que possam se adequar a esse modelo”, coloca Carlos Nepomuceno. Uma questão que também gera uma certa preocupação entre as pessoas que não estão acostumadas com essa forma de trabalho se refere ao relacionamento entre os funcionários, ou associados. Mas para a maioria dos “telegerenciadores” (pessoas que administram a empresa virtual), esse tipo de problema praticamente não existe. “O nosso trabalho funciona como um escritório normal, e a única diferença é que não estamos fisicamente próximos todos os dias. Mas o contato acontece diariamente, via telefone, e-mail ... E, além disso, contato pessoal nem sempre é sinônimo de qualidade de comunicação e espírito de equipe. Quantas vezes não encontramos colegas de sala que nem se falam?”, enfatiza Sônia. Redução de custos e qualidade de vida A decisão de abrir uma empresa virtual quase sempre se relaciona com a possibilidade de reduzir os custos e aumentar a rede de contatos. “Se estivéssemos dentro de um esquema tradicional, não sei se ainda estaríamos vivos”, afirma Daniela Castilho. No entanto, a preocupação com os gastos também existe, pois como o contato com o cliente é feito à distância, o custo para explicar, por exemplo, o conceito de um projeto, pode ser muito maior, coloca Maria Alice. E além de ser possível reduzir os custos da empresa, o gerenciamento do tempo é outra vantagem para a empresa que atua nessa área. “Perder tempo no trânsito é perder dinheiro e, principalmente, qualidade de vida. E sem uma boa qualidade de vida, o funcionário torna-se uma pessoa insatisfeita, prejudicando o andamento da empresa”, conta Sônia Grisólia. Um outro ponto favorável, ainda segundo Sônia, é que o teletrabalho diminui a distância entre os departamentos da empresa, já que existe a possibilidade de contato através da rede e não há mais a necessidade de deslocamentos diários para que essa relação aconteça. Porém, mesmo com essas vantagens, as empresas virtuais ainda estão começando a colher os resultados dessa nova forma de trabalho. “A nossa rede de clientes aumentou, mas ainda estamos conquistando as pessoas, já que o mercado de interiores é um pouco difícil de ser alcançado”, explica Maria Alice. No caso da Studio 4922, o crescimento também está sendo verificado aos poucos mas, segundo Daniela Castilho, no período de mais ou menos um ano, a empresa vem colhendo excelentes resultados. E como uma empresa não vive apenas de momentos felizes, no caso do teletrabalho esse problema também existe. Uma das barreiras que podem dificultar o sucesso da empresa virtual é o mau gerenciamento da equipe e a formação do conjunto com pessoas que não possuem o perfil do teletrabalhador. “O administrador precisa criar uma metodologia de controle muito séria, para que o trabalho saia corretamente e para que todas as pessoas envolvidas no projeto conheçam perfeitamente aquilo que estão desenvolvendo”, coloca Carlos Nepomuceno. Além disso, como não existe a relação de chefe-funcionário, o profissional sente-se muito mais seguro para concordar ou discordar de uma posição do telegerente, o que exige uma postura muito firme. “O telegerente precisa ser um diplomata nato e um líder capaz de conquistar o respeito da equipe por mérito próprio. Essa é a única forma dele conseguir fazer o gerenciamento à distância e conseguir bons resultados”, afirma Sônia Grisólia. E para ser uma empresa do teletrabalho ... O rompimento com os paradigmas da era industrial e da linha de montagem é muito importante para entrar na era do teletrabalho. “Antes tínhamos um controle muito rígido e conservador, que não se encaixam nessa nova concepção de trabalho”, coloca Sônia Grisólia. O conhecimento e o aprimoramento com as novas tecnologias também é fundamental para montar uma empresa com essas características, mas é claro que cada empresa vai precisar de uma tecnologia adequada a seu tipo de trabalho. O futuro Como o teletrabalho ainda é considerado uma novidade no Brasil, algumas pessoas ainda sentem um certo receio no momento de contratar uma empresa que não tem um escritório físico. “Existe o preconceito de achar que sua empresa é pequena, de que você não conseguiu montar um escritório", conta Carlos Nepomuceno. Mas, de acordo com as tendências, o teletrabalho logo deve dominar o mercado. Para Sônia Grisólia, com esse novo modelo, as micro e pequenas empresas terão um maior desenvolvimento, já que são mais flexíveis e, naturalmente, mais criativas que as grandes e tradicionais. Seja o tempo todo em casa, seja num escritório pequeno com outras pessoas, ou ainda, fazendo o serviço em qualquer parte da cidade, o teletrabalho está conquistando seu espaço e, provavelmente, está mudando a cabeça de muita gente. >http://www.surftrade.com.br/x/artigo?cod=200008102494
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