Como administrar uma pequena empresa de tecnologia no Brasil?

Trabalho a distância

Comunidades virtuais e o futuro da Internet

Você usa 10% da capacidade do seu computador?

 


 
 

Funcionário que trabalha em casa está em alta no mercado
Publicado originalmente no jornal O Globo, Caderno Boa Chance em 20 de novembro de 2005

Já são 4,5 milhões de brasileiros que trocaram as roupas formais e os cartões de ponto para se tornarem teletrabalhadores - profissionais que trabalham em casa, usando computador ou telefone, não necessariamente todos os dias da semana. O número é de recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Teletrabalho (Sobratt), que aponta ainda crescimento médio de 20% ao ano. Grandes companhias, como Xerox, Ticket e Shell, já usam o trabalho a distância. Mas empresas menores também demonstram interesse, principalmente com a redução dos custos.

E não é preciso ser autônomo para ser teletrabalhador. Outra pesquisa, do portal Wwwork, diz que, no Brasil, a categoria está distribuída em funcionários de empresas (34%), autônomos (29%), empresários (24%), profissionais liberais (7%) e estagiários (6%). Mas não são todas as pessoas que têm perfil para trabalhar à distância. Álvaro Mello, vice-presidente da Sobratt, destaca que é preciso ter iniciativa, disciplina e forte senso de responsabilidade. E que algumas profissões são mais adaptáveis:

- Quem trabalha com metas e prazos está mais apto para o trabalho virtual. É principalmente gente das áreas de informática, administração, jornalismo, publicidade, marketing, vendas, direito, engenharia e arquitetura.

Depois de chegar à conclusão de que estava trabalhando para pagar o aluguel do escritório, Carlos Nepomuceno, diretor da Pontonet Consultoria, de soluções de Tecnologia da Informação, virou um teletrabalhador. Sua equipe também trabalha em casa. Mas, para ter controle das atividades realizadas por todos, o grupo criou um software de gestão de trabalho à distância, que passou a ser vendido para outras companhias:

- O software delega trabalhos, controla a execução das tarefas, distribui documentos. Já temos em nossa carteira de clientes grandes empresas.

O contato com as pessoas, no entanto, não deixa de ocorrer. Para o vice-presidente da Sobratt, diretor da Gutemberg Consultores, empresa de consultoria de RH, é natural que o teletrabalhador vá ao escritório e às reuniões em horários programados:

- A vantagem é que esses encontros costumam ser bem mais objetivos.

É o que pensa também Christiane Cerboni, diretora da Aliança Cultural, curso de idiomas para o mercado corporativo. As aulas são nas empresas-clientes e ela e se reúne com a equipe, de 11 professores, uma vez por semana:

- Mantemos contato telefônico e via internet e ofereço um café da manhã para eles semanalmente. Além disso, todo mês fazemos reunião num centro de negócios. Apesar de serem autônomos, são treinados e seguem a filosofia de trabalho da empresa.

Para a Sobratt, o teletrabalho é uma boa opção para o setor público, onde faltam espaço físico e infra-estrutura. O Serpro, informa ele, está implantando um projeto do gênero. Quem teria de bancar gastos como telefone e internet seria o governo. Isso poderia gerar corrupção?

- A pessoa pode ser corrupta estando dentro do órgão público. Essa questão está ligada, sim, à índole do funcionário - conclui Mello.

 
           
           
           
 

    

 

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