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Vocę usa 10% da capacidade do seu computador? Raul Seixas já dizia que o ser humano não usa 10% da sua cabeça animal. A frase vale também para o uso do computador. Aprendemos a lidar com a máquina, mas nem sempre a dominamos como desejaríamos. Ou seja, usamos 10% da capacidade do nosso micro. Claro, que não precisamos de boa parte dos outros 90%, mas o fato mais grave é quando demoramos muito mais tempo para realizar tarefas cotidianas por ignorância e algumas facilidades nem conhecemos,mas são de grande utilidade no dia-a-dia. Com o novo Governo do Brasil que apresenta uma proposta voltada para o social, o tema da Universalização de acesso à Informática e à Internet cresce em importância, pois o projeto prevê a distribuição de micros nas escolas, mas de que forma ensinaremos o seu uso? Carlos Nepomuceno, coordenador da empresa Pontonet, criador de diversos cursos sobre Informática e Internet, mestre em ciência da informação, desenvolveu uma nova metodologia para ajudar aos usuários a se preparar para o uso do computador, baseado no conceito da fluência digital. "O processo de aprendizagem deve ser o de valorizar o que a pessoa já sabe, tapar os buracos do conhecimento que falta, evitando que se passe duas horas em uma sala de aula para aprender algo que levaria cinco minutos". Ele apresenta algumas de suas idéias. O que afinal é a fluência digital? É o conjunto de habilidades desenvolvidas pelos seres humanos no uso dos computadores. De maneira geral, existem diferentes gerações de usuários. Os jovens hoje começam a ter uma educação formal nas escolas, no qual o aprendizado é minimamente sistematizado. Mas, de maneira geral, os que têm mais idade, aprendem a lidar com o computador de forma empírica, a partir das necessidades mais imediatas. Assim, é comum você encontrar um usuário que sabe fazer uma planilha completa no Excel, mas se enrola quando precisa produzir uma simples tabela no Word. Ou seja, o que estamos desenvolvendo na Pontonet é uma metodologia que permita traçar o perfil de cada usuário, através de questionários, que definam as ações necessárias para que uma pessoa ou um grupo dentro de uma empresa possa melhorar a sua fluência digital. E qual seria a grande vantagem dessa metodologia? Podemos começar a preparar um treinamento mais eficaz, reduzindo o tempo desperdiçado em reaprender o que já se sabe, reunindo usuários que têm mais ou menos o mesmo perfil. Na verdade, fazemos um censo de uma determinada organização para que possamos dar um parâmetro real de como anda a situação daquele grupo com os computadores. Hoje, se investe muito em máquina e software, mas esquece-se que eles estão sendo colocados para o ser humano usar. Mas em um questionário para avaliar o uso, o funcionário não se sentiria constrangido em dizer que não sabe determinado assunto? Sim, o ideal que o processo baseado na confiança entre quem aplica a metodologia e os alunos, que ganham um aliado para resolver esses problemas. Trabalha-se no quantitativo e se apresentam os resultados, dizendo que tantas pessoas foram treinadas, em tais habilidades. E que a empresa agora está capacitada para que o conjunto dos seus funcionários possa realizar aquelas tarefas. O importante não é saber quem não sabe, mas que ele/ela agora já sabe. O processo de treinamento assim não seria mais caro do que preparar os cursos e todos realizarem? A princípio não, pois podemos diminuir as horas de treinamento e trabalharmos também com multiplicadores. Aqueles que são mais capacitados e que podem ganhar mais pontos na metodologia. Eles passam a ser os guias dos demais. Estudamos criar e colocar uma árvore do conhecimento do pessoal treinado na própria Intranet, o que ajudará aos novos funcionários que não passaram no treinamento possam recorrer a esses "gurus". O importante é que traçamos com detalhes tudo que uma pessoa necessita para lidar bem com os computadores e teremos como meta, que aquele grupo seja capacitado para exercer com desenvoltura esse conjunto de ações. E as questões sobre a metodologia passariam por que tipo de ações? Começam da mais básica, de ligar e desligar o computador, as mais complexas. Veja que a idéia não é preparar ninguém para ser um especialista em planilha, mas que ele saiba resolver os pequenos problemas e se sinta mais seguro diante da máquina. A metodologia já vem sendo utilizada em alguma empresa? Sim, já estamos testando em duas empresas, mas são projetos pilotos e experimentais e ainda não podemos divulgar. Vamos ministrar cursos, tanto em aulas presenciais, como a distância, mas sempre usando ferramentas na rede, tanto para coletar os dados, tabular e treinar. | |||||
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