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Trabalho longe do chefeInteresse de empresas pelo teletrabalho cresce com novas tecnologiasAdriana Diniz,RioBizz A evolução dos serviços online e o momento complicado que o País enfrenta estão contribuindo para o maior interesse pelo trabalho a distância. Empresas de todos os portes e profissionais de áreas diversas demonstram mais interesse pela modalidade - conhecida como teletrabalho. O crescimento, no entanto, esbarra em barreiras culturais. O número de teletrabalhadores no Brasil é de 3,5 milhões, com crescimento médio de 10% ao ano, segundo recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt). Companhias como Dell, Xerox e Shell já utilizam o trabalho a distância, mas empresas menores já demonstram interesse, principalmente com a redução dos custos. Nos EUA, onde é crescente o medo de novos atentatos terroristas, o número de teletrabalhadores já chega a 21 milhões e representa 18% da força de trabalho. No Brasil, entretanto, gerentes e diretores ainda precisam se habituar a comandar funcionários que não estão presentes fisicamente. Perfil do funcionárioAlém disso, é preciso identificar quem tem perfil para trabalhar a distância: pessoas com iniciativa, disciplina e um forte senso de responsabilidade. Para Álvaro Mello, presidente da Sobratt, algumas profissões são mais adaptáveis ao teletrabalho. "Quem trabalha com metas e prazos está mais apto para o trabalho virtual. Trabalhos que envolvam informações, planejamento, criatividade e contabilidade, por exemplo, podem ser realizados a distância sem problemas. É claro que em alguns casos é necessário um mínimo de interação pessoal, para não causar um isolamento social", explica Mello. O executivo lembra que o crescimento do mercado de trabalho a distância no Brasil relaciona-se diretamente aos custos de Internet e de telefonia. "Os custos de acesso a Internet tendem a diminuir e conseqüentemente o número de teletrabalhadores tende a aumentar", ressalta. O profissional precisa ter um mínimo de infra-estrutura para tornar-se um teletrabalhador. Além de computador, fax e telefone, são necessários softwares de controle de tarefas e ferramentas de comunicação, como e-mail e ICQ. Algumas empresas oferecem equipamentos e arcam com os custos de Internet e telefonia do funcionário virtual.
Carlos Nepomuceno, diretor da PontoNet Consultoria, lamenta a falta de ferramentas adequadas para auxiliar o trabalho a distância. "Intranet e softwares específicos resolvem alguns problemas. Outra solução é utilizar acesso por banda larga, mas nesse caso, os custos ainda são muito altos", comenta Nepomuceno. A PontoNet criou um software que controla tarefas, delega trabalhos e distribui documentos.
O executivo acredita que a melhor forma de organização e remuneração é estipular prazos e pagamentos de acordo com o trabalho realizado. Apesar dos obstáculos, Nepomuceno vê com otimismo o futuro do teletrabalho no País. "As pessoas vão fazer as contas e perceber os benefícios. Existe hoje um grande número de trabalhadores que poderiam estar trabalhando em casa. As pessoas que trabalham nos grandes centros perdem duas horas e meia, diariamente, no trânsito", afirma.
Para Joel da Anunciação, diretor da TeleOffice, que presta consultoria em teletrabalho, neste momento de transição é necessário dar treinamento aos executivos e funcionários. "Muitas empresas têm nos procurado para implementar o teletrabalho", diz. Anunciação acredita que a disseminação de dispositivos móveis pode ajudar na penetração do teletrabalho no Brasil. Consultoria virtualSilvio Correa, que oferece serviços de consultoria, criação e gerenciamento de comunidades virtuais empresariais, realiza quase todas as etapas de seu trabalho via Internet. "Depois do contato inicial, feito por e-mail, faço uma visita para conhecer o cliente. Fechado o negócio, troco material e gerencio as comunidades virtuais pela Internet", explica. Para o consultor, que mora em Avaré, no interior paulista, a maior vantagem do trabalho virtual é a possibilidade de viver em uma cidade pequena e tranqüila. O problema maior é a solidão profissional. "Às vezes fica difícil não ter com quem dividir uma nova idéia ou a solução de um problema", conta. DISCIPLINA É ESSENCIALA astróloga Stela Moura, que trabalha com desenvolvimento pessoal, adotou o teletrabalho parcial. Ela elabora, para empresas de Recursos Humanos, perfis de candidatos de acordo com seu mapa astral. Os dados são enviados pela Internet e o relatório é devolvido da mesma forma. Segundo Stela, além de não perder tempo no trânsito de Curitiba, poder usar roupas confortáveis e não ter que conviver diariamente com incômodos como fumaça de cigarro e barulho são as maiores vantagens do trabalho via Internet. A astróloga, que resolve os problemas de isolamento em happy hours com os amigos, reclama do preconceito em relação a teletrabalhadores. "Já ouvi casos de pessoas que tiveram seu serviço renegado em função de ser um teletrabalhador. Acontece que o talento não se mede pelo comprimento da parede de tijolos de seu escritório. Mas acredito que cada vez mais os home offices vão ser uma realidade", observa. Ana Manssour, que dedica-se integralmente ao teletrabalho como consultora da comunicação social, elabora um cronograma com etapas, dias, turnos e horários de seus projetos, para driblar o excesso de liberdade e evitar interrupções e distrações, com contratempos e imprevistos calculados e incluídos na programação. "Há uma tendência a ficar meio viciado no trabalho. Então baixei uma lei para mim mesma: respeitar feriados e finais de semana, salvo alguma emergência. No meus caso, a maior vantagem é poder trabalhar de madrugada, porque sempre tive mais disposição para trabalhar à noite que pela manhã. Além disso, atividades que dependem de inspiração não podem simplesmente ser cortadas para continuar no dia seguinte", comenta Ana.
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