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Só Nélson Rodrigues escapou do SirCam
(Artigos do Nepomuceno - 02/08/01)

Entramos em uma nova etapa no ativo mundo dos vírus de computadores. Pela primeira vez, um hacker consegue difundir um deles, em larga escala.

Escolhe, aleatoriamente, um arquivo na máquina infectada e o envia para o resto do mundo com o nome e e-mail da vítima. Foi batizado de SirCam e vai gerar uma legião de seguidores.

Se o usuário, com infecções anteriores, já pagou um alto preço com a perda de dados, tempo, dinheiro. E ganhou a fama de desleixado por espalhar pragas ao vento, agora corre um perigo ainda maior: por em risco a sua privacidade e a dos mais chegados.

Imagine se inventam um que recolhe todas os bilhetes do ICQ de seu micro, que contenham palavras “quentes”, e espalhem pela sua lista de e-mails, com o subject: “veja o/a que fulano/a anda aprontando virtualmente!!?”.

Basta uma tática nova de um programador maldoso e um batalhão de ingênuos se contamina. Recebi em três dias mais de 100 cartas eletrônicas infectadas pelo SirCam.

Para retirá-lo do seu HD:
www.symantec.com/avcenter/venc/data/w32.sircam.worm@mm.removal.tool.html

Ou seja, os fatos demonstram que ainda muitos de nós não adotaram uma política e rotina eficaz de prevenção. Sempre há o que aprender neste campo.

Comece por investir em um programa de vacina decente. (Aqui na rua todo mundo usa o Norton).

Se o seu equipamento é usado só por você, flexibilize as regras com o passar do tempo. Mas se é operado por diversas pessoas, ainda mais por usuários leigos, crianças e adolescentes, opte pela segurança máxima, com estes itens a seguir, acessíveis no ícone Option/Opções dentro do Norton.

Em Auto protect, deixe sempre ativo o item Start auto-protect when windows starts up. Na opção, How to respond when a vírus found escolha deletar sem consulta todos os arquivos infectados, use: Delete the infected files;

Em E-mail protection, marque todas as contas de correio ativas; Na seleção LiveUpdate, dê preferência por realizar automaticamente o update da nova lista de pestes: Enable Automatic LiveUpdate;

Mesmo com todas estas medidas adotadas, existe ainda uma pequena margem de erro dos softwares de sanitarismo digital. Em alguns casos, não conseguem identificar os germes, pois a velocidade de criação destes é maior do que a da imunização.

Assim, nunca, nunca mesmo, abra anexos por curiosidade. Se restrinja aos de trabalho, como os de texto e planilhas.

Se estes contiverem problemas novíssimos de macro, ainda não registrados, os programas do Office podem detectá-los e desativá-los. O caminho para isto no Word ou Excel, por exemplo: Ferramentas/Macros/Segurança. Use Alto em caso de PCs compartilhados, ou Médio, no uso individual.

Infelizmente, estas ações fazem parte da enorme conta pelo uso intenso da tecnologia com débito automático diário. São as regras do século XXI, que se aliam ao uso da camisinha e a do vidro fechado ao se dirigir no trânsito.

Nesta atual onda de invasão das telas alheias, lembrei de Nelson Rodrigues - que nunca pegou um vírus – e de sua famosa frase, que tomei a liberdade de adaptar para a ocasião:

"— Se todo mundo conhecesse a intimidade de todo mundo, ninguém cumprimentaria ninguém."

 
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