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Internet, mentira e videogames
(Artigos do Nepomuceno - 03/05/01)

Recebi por e-mail esta semana da mãe de uma adolescente a seguinte pergunta: a Internet vicia? Sim, os recursos eletrônicos de som e imagem: rádio, televisão, videogame, computador e, agora, o Ciberespaço podem gerar um grau de dependência. E a utilização deve ser balanceada.

Os primeiros estudos sobre o uso da rede nos EUA apontavam para uma tendência à depressão e ao afastamento dos usuários da sua vida cotidiana. O principal deles, publicado em 1998, (Internet paradox: A social technology that reduces social involvement and psychological well-being?) foi recebido com cautela.

Ver em: http://homenet.hcii.cs.cmu.edu/progress/research.html

Alguns dados mudaram de lá para cá. Hoje, mais da metade (56%) dos 154 milhões de norte-americanos estão plugados.

"Não existe mais nos Estados Unidos diferença entre o público que está na Net, daquele que vemos circular nos supermercados. (...) Foi-se o tempo que os freqüentadores eram apenas os estudantes e pesquisadores" comenta Michael J.Weiss, no artigo On-line América, uma compilação de diversas pesquisas sobre o hábito dos internautas daquele país, publicada recentemente.

"Existem tantas maneiras diferentes de usar a Net, que já não existe um centro de gravidade, onde nós possamos nos basear. Faz-se de tudo". E complementa: "A maioria dos internautas se diz mais próxima de parentes e amigos depois que se conectou".

Ver em: www.demographics.com/publications/ad/01_ad/0103_ad/ad010301.htm

Na verdade, pode-se apostar on-line em corridas de cavalos, comprar drogas, jogar gamão, bater papo, ver mulheres e homens pelados, pesquisar, se informar.

A rede já é e será o recanto de todos os atrativos: dos viciantes, aos educativos. Qualquer análise dos malefícios na (ou da) Internet deve, antes de tudo, definir que tipo de obsessão estamos nos referindo.

O risco do vício na Net - ou fora dela - é deixarmos de viver a nossa vida e seus laços com o mundo real: família, amigos, vizinhos, colegas, mitos, desejos e paixões. É a contínua luta para evitar a viagem com o nosso imaginário personagem virtual para um outro planeta, onde o céu é o limite.

As salas de chats, por exemplo, têm levado muitos internautas ao divã.

O preocupante na sociedade do século XXI, com o acelerado uso dos aparelhos eletrônicos, é o abandono das atividades "sem tomada": leitura, esporte e artes. E o descaso com a educação investigativa em todas as áreas. Procura-se desesperadamente um futuro, esquecendo-se gradualmente do passado. Como se isto fosse possível.

Não basta uma rede poderosa, onde o acesso a tudo é ilimitado, se a sede do conhecimento das novas gerações é pequena, supérflua ou se satisfaz apenas com uma Coca-Cola gelada.

 
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