Sempre me espanto com a possibilidade mutante e infinita dos computadores.
Comprei, há um mês, uma placa de captura de vídeo (PixelView Play TV Pro).
Ela possibilita colocar uma tevê no micro, incluindo os canais a cabo. É
útil para acompanhar um jogo ou um noticiário, enquanto se passa os olhos
pelos e-mails ou se faz a manutenção da máquina.
Permite também capturar, de forma rudimentar, imagens de uma câmera de vídeo.
Pode-se assistir em tela cheia ou minimizada, a gosto. Vem com um controle
remoto e um rádio FM. Paguei R$ 230 pelo novo brinquedo.
Notem bem, a Play TV não tem memória própria. Ela utiliza a da placa de
vídeo da máquina. Rodou bem no Windows 98. Quando testei com apenas 8 MB de
uma placa on-board, porém, ficou instável. Para uso normal, eu arriscaria
algo em torno de 32 MB de memória de vídeo.
Uma avaliação da placa, em inglês, pode ser vista no endereço de notícias
sobre tecnologia CNET em computers.cnet.com/hardware/0-1110-404-131676.html.
Eu, na verdade, estava paquerando uma ATI - All-in-wonder, líder de vendas
na Amazon, mas só se encaixam em slots AGP (o meu velho Compaq só tem
entrada PCI). As ATIs nesses modelos variam de R$ 300 a R$ 600, dependendo
da capacidade de memória.
Quem vai comprar uma nova placa de vídeo e tem slot AGP no equipamento,
pode optar por uma com entrada para tevê a cabo. Vai pagar um pouco mais,
mas terá um novo ponto de televisão em casa.
Acredito que esse tipo de placa tende a se popularizar pelo custo-benefício
e, quem sabe, passar a um item padrão dos micros daqui para frente.
Lembro que até dois anos atrás, era muito raro uma máquina sair com modem
de fábrica. A explosão da internet obrigou a indústria a incorporar esse
periférico em qualquer equipamento, incluindo pacotes de conexão grátis.
Um computador sem modem é como uma parede sem janela, um espelho do nosso
próprio umbigo, ali no canto do
apartamento.
Hoje, estamos diante do mundo.
A sensação de termos uma tevê no monitor cria algumas abstrações. Vejo pelo
cabo, por exemplo, programas de outros países, mas ainda com poucas opções.
Veremos em breve, entretanto, a quebra da barreira regional das rádios e
das tevês.
Vejam, por exemplo, a brasileira AllTV (www.alltv.com.br), que transmite 24
horas por dia programação pela Web há alguns meses para o planeta.
São programas de debates, com participação ativa dos internautas, por
e-mail e chat. Pega muito bem em uma banda larga com link de 256 Kbps.
Outra tendência são as rádios mundiais. Resolvi, por exemplo, ouvir
programas de rock de Nova York. Encontrei diversas opções no radio.yahoo.com.
Multipliquem essas experiências e podemos imaginar que teremos em um futuro
próximo blogs, nas ondas do rádio e da tevê.
Todo esse futuro globalizado me lembra o filme Salada Russa em Paris que vi
há tempos e recomendo. Eis o enredo:
Um jovem professor de música mora num cômodo alugado em um apartamento na
Rússia. Uma noite, descobre, no fundo do armário do quarto, uma janela
secreta (e mágica) que se abre para os telhados de uma rua do outro lado do
mundo - em Paris.
Digam-me: existe algo mais contemporâneo do que aquele armário?