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Uma janela para o mundo
(Artigos do Nepomuceno - 04/07/02)

Sempre me espanto com a possibilidade mutante e infinita dos computadores.

Comprei, há um mês, uma placa de captura de vídeo (PixelView Play TV Pro).

Ela possibilita colocar uma tevê no micro, incluindo os canais a cabo. É útil para acompanhar um jogo ou um noticiário, enquanto se passa os olhos pelos e-mails ou se faz a manutenção da máquina.

Permite também capturar, de forma rudimentar, imagens de uma câmera de vídeo.

Pode-se assistir em tela cheia ou minimizada, a gosto. Vem com um controle remoto e um rádio FM. Paguei R$ 230 pelo novo brinquedo.

Notem bem, a Play TV não tem memória própria. Ela utiliza a da placa de vídeo da máquina. Rodou bem no Windows 98. Quando testei com apenas 8 MB de uma placa on-board, porém, ficou instável. Para uso normal, eu arriscaria algo em torno de 32 MB de memória de vídeo.

Uma avaliação da placa, em inglês, pode ser vista no endereço de notícias sobre tecnologia CNET em computers.cnet.com/hardware/0-1110-404-131676.html.

Eu, na verdade, estava paquerando uma ATI - All-in-wonder, líder de vendas na Amazon, mas só se encaixam em slots AGP (o meu velho Compaq só tem entrada PCI). As ATIs nesses modelos variam de R$ 300 a R$ 600, dependendo da capacidade de memória.

Quem vai comprar uma nova placa de vídeo e tem slot AGP no equipamento, pode optar por uma com entrada para tevê a cabo. Vai pagar um pouco mais, mas terá um novo ponto de televisão em casa.

Acredito que esse tipo de placa tende a se popularizar pelo custo-benefício e, quem sabe, passar a um item padrão dos micros daqui para frente.

Lembro que até dois anos atrás, era muito raro uma máquina sair com modem de fábrica. A explosão da internet obrigou a indústria a incorporar esse periférico em qualquer equipamento, incluindo pacotes de conexão grátis.

Um computador sem modem é como uma parede sem janela, um espelho do nosso próprio umbigo, ali no canto do apartamento.

Hoje, estamos diante do mundo.

A sensação de termos uma tevê no monitor cria algumas abstrações. Vejo pelo cabo, por exemplo, programas de outros países, mas ainda com poucas opções.

Veremos em breve, entretanto, a quebra da barreira regional das rádios e das tevês.

Vejam, por exemplo, a brasileira AllTV (www.alltv.com.br), que transmite 24 horas por dia programação pela Web há alguns meses para o planeta.

São programas de debates, com participação ativa dos internautas, por e-mail e chat. Pega muito bem em uma banda larga com link de 256 Kbps.

Outra tendência são as rádios mundiais. Resolvi, por exemplo, ouvir programas de rock de Nova York. Encontrei diversas opções no radio.yahoo.com.

Multipliquem essas experiências e podemos imaginar que teremos em um futuro próximo blogs, nas ondas do rádio e da tevê.

Todo esse futuro globalizado me lembra o filme Salada Russa em Paris que vi há tempos e recomendo. Eis o enredo:

Um jovem professor de música mora num cômodo alugado em um apartamento na Rússia. Uma noite, descobre, no fundo do armário do quarto, uma janela secreta (e mágica) que se abre para os telhados de uma rua do outro lado do mundo - em Paris.

Digam-me: existe algo mais contemporâneo do que aquele armário?

 
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