O que fazer com a bugiganga digital que temos em casa e nas empresas?
Micros, placas, modems, fios, discos rígidos que já não têm mais quase nenhuma utilidade para nós.
É uma tralha guardada, empoeirada, que ocupa espaço desnecessário e se deteriora rapidamente.
Pior: cruelmente sucateada e que acaba perdida quando temos tantos brasileiros sem micro.
Um belo dia fiz um pacotão aqui. Incluí até um laptop velho e quebrado e liguei para o pessoal do Comitê para Democratização da Informática (CDI).
Eles encostaram uma Kombi e recolheram tudo.
No CDI, as máquinas recebidas são testadas, remontadas, cadastradas e formatadas. Depois, instalam novos sistemas operacionais e aplicativos.
Finalmente, são embaladas e enviadas para centros populares de informática e cidadania, gerenciados pela comunidade carente.
Os organizadores das escolas recebem preparação para organizar o empreendimento, treinamento técnico para os instrutores - que têm de morar no local - e computadores reciclados.
Os cursos custam em média R$ 10 por aluno e abrangem o uso de ferramentas básicas, como processador de texto, planilha, apresentação e banco de dados.
Essa receita sustenta o centro e paga os professores.
Quando uma máquina pifa e os instrutores não conseguem recuperá-la, o CDI repõe.
As empresas são responsáveis pela maioria das doações, geralmente Pentium 100, em lotes de 80 a 90.
Doações são bem-vindas.
Um dos coordenadores do CDI, Ricardo Schneider, afirma que qualquer placa interessa, mas sentem mais falta de disco rígidos, pois eles são uma peça que geralmente apresenta mais defeitos.
Os softwares são doados pela Microsoft, que abriu uma modalidade nova para o CDI. Todos os programas usados nessas escolas são considerados legais. Ou seja, é apenas um selo que autentica o estabelecimento e não cada máquina.
O grande gargalo atual, segundo Schneider, é a árdua tarefa de ressuscitar os equipamentos.
Para isso, o CDI, além da equipe permanente, tem organizado mutirões de técnicos de informática, que se reúnem em um determinado local aberto e trabalham durante um dia inteiro.
Esse é o trabalho voluntário de que mais eles sentem falta, pois o crescimento do projeto é geométrico.
Desde que foi criado, há 7 anos, o CDI já tem 588 centros populares espalhados pelo Brasil e em mais 10 países.
Já distribuíram 3 mil equipamentos e ministrarão, até o fim deste ano, aulas para 230 mil alunos.
Muitas idéias novas fervilham na cabeça dos organizadores do projeto: cursos de empreendedorismo, cibercafés populares e centros dentro de empresas, para treinamento básico aos empregados que não usam computadores, e até a seus familiares.
E ainda: uma recente produção artesanal com peças imprestáveis, que serão vendidas como artesanato.
O sucesso do CDI, na verdade, tem uma explicação. Eles conseguiram unir a necessidade urbana de se dar um destino para peças velhas da informática, uma indústria, que por sua natureza, é geradora de sucata, com a causa nobre de encurtar as distâncias sociais do País.
Para quem quiser ajudar: www.cdi.org.br