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O conhecimetrômetro Voltei a ler as resoluções da Cúpula Mundial sobre a sociedade da informação, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), no fim do ano passado, na Suíça. O documento pode ser encontrado em www.itu.int/wsis/documents/doc_multi.asp?lang=en&id=1161|1160. A principal decisão foi a de que "todos os países devem preparar antes de 2005 ciberestratégias nacionais em especial, que apontem para o desenvolvimento das capacidades humanas, conforme cada realidade". Ou seja, está aberto finalmente o debate mundial: o que afinal é incluir uma pessoa digitalmente? E qual a melhor forma de fazer isso? No documento oficial, defende-se muito o acesso aos computadores, mas fala-se pouco sobre a etapa posterior: conectar para quê? Na verdade, temos duas fases no processo de inclusão do cidadão. Uma, quando ele tem acesso à "televisão com mouse" e outra quando passa a "ganhar conhecimento". A segunda etapa significa aprender na rede e com a rede, melhorando assim sua vida, com resultados positivos para toda a sociedade. Não existe ainda, na verdade, o "conhecimetrômetro", mas é preciso criá-lo para saber se um usuário está mais bem preparado do que o outro. Ou, ainda, se determinado telecentro consegue melhores resultados em termos de ganho de conhecimento de seus usuários. Nesse novo instrumento metodológico, arrisco-me a dizer, o fator interatividade terá um peso significativo. Aqueles que apostam na integração dos novos usuários por área de interesse elevarão em muito o ponteiro para cima. Os que não o fizerem, o empurrarão para baixo. O contato permanente entre dos internautas será o grande fator de sucesso - vide os resultados obtidos pela Amazon (www.amazon.com) e pela comunidade Linux. Alguns resultados previsíveis são:
As organizações não-governamentais (ONGs) defenderam, no encontro da ONU, projetos nessa linha, "nos quais o conhecimento, a criatividade, a cooperação e a solidariedade humana sejam considerados elementos essenciais e promovam não só a criatividade individual, como também, a inovação coletiva, baseada na cooperação". O documento pode ser visto em: www.wsis2005.org/wsis/main_c01_02.htm. Na avaliação do encontro, os coordenadores do Comitê para a Democratização de Informática (CDI) - uma das principais ONGs brasileiras na área de inclusão digital -, Rodrigo Baggio e Ricardo Schneider, reforçam que devemos apostar "no desenvolvimento das redes de conhecimento como meio de a sociedade civil passar da teoria à prática cotidiana de uso das tecnologias da informação e possa assim se beneficiar ainda mais das ferramentas digitais". Sugiro iniciar o debate com o livro Cibercultura, de Pierre Lévy, da Editora 34. Ali, com outras palavras, está claro o primeiro parâmetro que devemos adotar: a Internet não é uma tevê com mais canais e um controle remoto com rabinho!
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