Se meu coração deixasse, eu juro que não torcia pelo Brasil na Copa.
Escolheria aquelas seleções bem despreocupadas da vida, que sorriem o tempo todo e rebolam na bandeirinha de córner depois do gol.
A forma de comercialização equivocada do mundo das chuteiras nos últimos anos tem tirado a base de sustentação do futebol: o prazer de jogar e assistir.
Sem poesia, um jogo de "soccer" é apenas a tentativa inútil de 22 marmanjos tentarem acertar uma bola dentro de seis pedaços de pau.
Muito chato.
Nosso mundo da Internet, aliás, está quase na mesma pasmaceira.
A Microsoft conseguiu derrubar os concorrentes com a tática de não deixar ninguém jogar, não levou cartão e acabou por secar a criatividade.
O Outlook e o Internet Explorer se impuseram, não pelas qualidades, mas justamente por quem escalou. Os dois programas, até que marcam bem, mas não criam.
Diga, por exemplo, uma novidade interessante das últimas três versões do IE? Ou do Outlook? Uma apenas. A Microsoft resolve bugs, lança remendos de segurança, mas não evolui em funcionalidades nesses dois programas.
O Bill Gates, bem lá na linha de fundo, tem um quê de Felipão.
Este mês, as seleções derrotadas ressurgiram das cinzas. Baixei, na semana passada, a nova versão 7.0 da Netscape. Prometem muito: flexibilidade, gratuidade e estabilidade.
Até que tem tudo isso, mas lançaram um browser para o usuário de dois anos atrás. Nenhum usuário comum deixará de usar o IE sem ter vantagens visíveis.
A Netscape (leia-se AOL), ingenuamente, quer enfrentar o time de Gates no alçapão do adversário. Não apresentou nada de inovador e tome gol nas costas.
Mas nem todos rezam nessa medíocre cartilha do 3-5-2.
Vejo com otimismo os "Óperas" com uma estratégia de abrir várias janelas na mesma tela. Estão muito mais sintonizados com a multiplicidade de interesses simultâneos dos usuários de hoje.
Vejam nessa ginga o Netcaptor (www.netcaptor.com - link inválido) e o SmartExplorer (www.smarteque.com - link inválido).
Em destaque, a recente versão 5.1 do Fast Browser, www.fastbrowser.net/download.html, agora, inclusive, com a barra de navegação do Google.
Dá gosto de ver jogar.
Infelizmente, são shareware, custam cerca de 20 dólares e oferecem trinta dias de teste.
O Eudora, depois de um ano em silêncio, colocou no ar uma insossa versão beta 5.1.1.3. Continua a ser o melhor programa de correio, mas está quase parado, o que é o pior sinal para um software. (Não seria o caso de abrir o código para a comunidade?)
Andei a ver alternativas, mas o Calypso, Bat, Pégasus não conseguem trocar um passe.
(suspiro)
Sou do tempo em que as empresas de software criavam comunidades de apaixonados em torno de seus projetos e faziam grandes obras - como é o Linux hoje em dia.
Sou daquela geração em que uma seleção era escalada como uma pelada na esquina. Primeiro, eram escolhidos os melhores - depois se dividia o time.
Naqueles verdes amarelados dias em que um Rivelino jogava na ponta esquerda e um Jairzinho na direita, deslocados das suas funções originais, pelo talento.
Da época, que era realmente legal amarrar a lingüiça no cachorro - só para ver no que ia dar.