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Agora é Linux?
(Artigos do Nepomuceno - 07/11/02)

Responda rápido: qual foi o primeiro líder do planeta a chamar Lula para conversar?

Bill Gates, ele mesmo, com fortes interesses nos rumos da informática nacional, pediu uma reunião, antes mesmo das urnas serem abertas.

Tal ansiedade se justifica.

Apesar de diversas incertezas quanto a determinados passos do novo governo, algumas tendências já estão claras:

procurar substituição gradativa, quando possível, da tecnologia importada, visando o crescimento de empregos no país e o equilíbrio da balança comercial.

O PT, principalmente no Rio Grande do Sul, adotou com esses princípios o software livre, eliminando gradualmente produtos proprietários (Microsoft inclusive) nos órgãos do governo.

O projeto ganhou repercussão nacional e internacional e foi implantado em diversas outras administrações do partido, como na gestão Benedita da Silva, no Rio de Janeiro, projetos de incentivo nessa área, como o Festival do software livre: www.festsoft.rj.gov.br/concurso.htm.

Ou em São Paulo, na gestão de Marta Suplicy, como está escrito no Portal do Município:(www.festsoft.rj.gov.br/concurso.htm).

Em São Paulo, a gestão de Marta Suplicy parece que também está preocupada com a disseminação do software livre, conforme informa no Portal do Município (www.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/inclusao_digital/entenda_o_pid09.asp)

"A Secretaria de Educação e a Coordenadoria de Governo Eletrônico buscarão disseminar o uso de software livre, de código aberto, em seu Plano de Inclusão Digital, exatamente por entender que o conhecimento coletivo deve ser compartilhado e não apropriado privadamente".

E segue:

"A tecnologia está sendo aprisionada pelos controladores dos códigos-fonte, pelas megacorporações que buscam concentrar ao invés de disseminar conhecimento. Este esquema de riqueza e poder deve ser enfrentado".

www.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/inclusao_digital/entenda_o_pid09.asp

É bom recordar também que foram os deputados Walter Pinheiro, do PT, e Sergio Miranda, do PCdoB, partido aliado do PT, que inviabilizaram a compra exclusiva do sistema operacional Windows da Microsoft com os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).

O extrato do Fust já totaliza os não-desprezíveis R$ 1,5 bilhão para projetos que visam a inclusão digital da população, como o de informatizar 12,5 mil escolas secundárias e profissionalizantes em todo o País - ainda em discussão.

Um dos homens fortes do PT no setor de tecnologia, Sérgio Rosa, diretor da Empresa de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro (Proderj), detalhou durante campanha eleitoral algumas metas, em nome do então candidato:

"A prioridade será usar softwares abertos nos órgãos públicos. As aplicações formarão o acervo do Software Público Brasileiro. Haverá ações com empresas, trabalhadores e ONGs para que haja espaço para os softwares livres e proprietários. O livre dá mais opções de criação, reduz despesas e importação e gera serviços de consultoria, desenvolvimento e treinamento", entrevista concedida ao Correio Brasiliense, no dia 22 de outubro: www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20021022/sup_etu_221002_6.htm

Assim, parece que no encontro Mr.Gates deve perguntar a Mr.Da Silva: "Agora é Linux?". Se depender do histórico do PT até aqui e do discurso de campanha, a resposta será: "Sim, meu nome é Lulix".

 
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