Carlos Henrique Latuff é cartunista e, por meio de seu trabalho, se dedica a denunciar violências contra o cidadão comum e a apoiar movimentos em favor das minorias de nosso planeta.
Chateado, me liga dizendo que todas as páginas que tinha no site gratuito da Tripod americana (www.tripod.com) foram deletadas pelo provedor, sob a alegação de que estavam violando as condições de uso e, assim, a administração do serviço pode mandar para o espaço qualquer site, sem aviso prévio ou apelação.
O site que denunciava a violência policial no Brasil dançou.
"Qualquer reclamação feita ao provedor faz que ele prefira tirar o site do ar, mesmo que sejam ilustrações específicas do Brasil, contra a violência policial". (Coloquem Latuff na busca da Tripod, para recuperarem algumas indicações do site.) Ou seja, os sites do artista que já estava há alguns anos no ar e todo o esforço de divulgação dele foram transformados em um breve "404 not found".
O que abre uma boa discussão sobre como podemos lidar com a censura na internet e o preço que se paga pela liberdade nos sites de domínio público.
Recentemente, coloquei uma página em um dos mais visitados servidores públicos do Brasil, o www.hpg.com.br. O provedor se sente no direito de colocar um banner, a critério dele, em TODAS as páginas do seu site. Em alguns anúncios, se divulgam sites de modelos, por exemplo. Um grupo evangélico que gostaria de usar esse serviço teria problemas sérios em ver misturado Jesus embaixo e mulheres com poses sensuais de biquíni em cima.
Na mesma linha, na semana passada, as comunidades virtuais foram surpreendidas com a mudança do Egroups, que passou definitivamente a ser chamado Yahoo Groups. Sem nenhum aviso, todos os membros do Egroups foram obrigados a ter uma conta no Yahoo! para continuarem desfrutando das vantagens. O serviço piorou e o que era razoável passou a apresentar problemas. O aviso com as explicações veio sete dias depois. É de graça?
Calados!
Os serviços pagos de hospedagem de site, aparentemente baratos, como é o caso da Locaweb (www.locaweb.com.br), que permite até 50MB por R$ 90 no trimestre, esconde armadilhas. Quando você ultrapassa essa cota passa a pagar R$ 1 por cada MB adicional por mês. Se não houver manutenção constante, o barato também sai caro.
Os casos isolados formam um pouco o cenário de que o gratuito tem um preço e, muitas vezes, não tão barato. O Latuff não consegue mais recuperar o contato perdido com seus fiéis visitantes. Pensa agora em divulgar seu trabalho por e-mail, o que não é a mesma coisa.
O modelo de servidor público de serviços em troca de anúncios e com interesses comerciais pesados e moralistas, por um lado, ou restritivos, por outro, merece uma boa discussão da sociedade civil, pois no andar da carruagem vai crescer, e muito, o movimento dos sem-sites.