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Programas que trocam experiências
(Jornal da Tarde - 08/03/01)

"O crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem", profetiza Pierre Lévy, no estudo detalhado sobre a influência da nova tecnologia na sociedade moderna e resumido no imperdível livro Cibercultura, da Editora 34.

Ele acredita na força dos indivíduos que querem "melhorar a colaboração entre as pessoas, que exploram e dão vida a diferentes formas de inteligência coletiva e distribuída".

Um exemplo prático dessa ambição são os programas gratuitos de compartilhamento de conhecimento, em grupos fechados, como o Groove (já citado pela mídia nacional, www.groove.com - link inválido) ou os ainda desconhecidos Magi (www.endtech.com - link inválido), o Roku (www.roku.com - link inválido) e o Opencola (www.opencola.com - link inválido), este para Linux.

Quer oferecer, do seu micro, um curso a distância? Escrever um livro ou um programa coletivamente? Tudo isso pode ser feito com a máxima segurança embaixo dessas plataformas, com o grupo que você escolheu e sem a interferência de ninguém. Cada micro é um servidor e, cada servidor, um mundo próprio. Digamos que você possa até ter o próprio coletivo de compartilhamento de músicas e dificilmente alguém poderá processá-lo.

Não acredito, entretanto, que esses programas se tornem tão populares como são o ICQ e o Napster. O Groove pode assustar usuários leigos com os seus 11 MB, a exigência de 64 MB de memória e 200 MB livre de espaço em disco. Seu uso depende basicamente da capacidade de convencer a sua turma a instalar o programa e todos a estarem on-line, como no ICQ. O que não é tão fácil.

Foi desenvolvido pelo mesmo idealizador do Lotus, Ray Ozzie, e lançado no fim do ano passado no mercado. Permite chat (voz e teclado), fóruns, navegação conjunta, jogos e um ICQ like. Sim, tem algumas funcionalidades parecidas com os ambientes colaborativos, oferecidos por diversos sites como eRoom (www.eroom.com), TeamCenter (www.inovie.com) ou Project Web (www.novient.com), mas trabalha dentro da sua máquina e evita a necessidade daquele sobe e desce de arquivos para a Web. Ficam todos nas máquinas de cada um.

Os "Napsters-cabeças" prometem trazer um ciberespaço particular em torno de seu micro, compartilhando informações com a sua tribo, o que é uma promessa ambiciosa. São os filhotes do Napster para a área do conhecimento. Mas o uso dessa nova ferramenta depende da aceitação dos usuários, da incorporação da idéia pelos grandes portais e da extensão desses benefícios (dentro do ICQ, por exemplo).

 
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