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O chat cabeça
(Artigos do Nepomuceno - 08/08/02)

Você já assistiu a uma palestra dentro de salas de chat?

Todo ex-participante do Big Brother Brasil, por exemplo, sai da "casa" e corre para uma dessas.

UOL, Globo e Terra, entre outros, promovem diariamente vários encontros do gênero.

O modelo virou moda e atrai bastante gente.

O bate-papo se organiza em duas salas: a da platéia e outra reservada ao palestrante.

O moderador escolhe as perguntas vindas do auditório e manda para o ar. O convidado responde, dentro do possível.

Geralmente, as dúvidas pipocam aos borbotões e é bastante difícil acompanhar o rumo da "conversa".

Outro ponto negativo: todos precisam conectar-se na mesma hora, no mesmo website.

É uma ferramenta adequada para marketing, mas não se aplica bem à troca de conhecimento.

Encontros online de baixo custo, voltados para o aprendizado ainda estão por vir, mas, felizmente, já existem experiências interessantes.

Participei esta semana da platéia do debate online por e-mail, promovido pela Aquifolium www.aquifolium.com.br/educacional, empresa especializada em educação a distância.

Eles convidaram dois autores americanos, Rena Palloff e Keith Pratt, que lançarão, este mês, no Brasil, o livro Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço, editado pela ArtMed.

Os escritores receberam questões em português e inglês. Os moderadores filtraram as perguntas e o tradutor verteu para cada idioma.

Os convidados responderam, novamente foram traduzidas e, por fim, os dois auditórios virtuais receberam as réplicas, nas duas línguas.

O Coordenador do projeto, Wilson Azevedo, acredita que esse modelo de debate virtual por e-mail, além de evitar o custo de deslocamento dos participantes, é bastante democrático: basta ter modem, mesmo lento, e um modesto micro com programa de correio eletrônico.

A iniciativa dá mais tempo para convidados e platéia participarem com calma, se gasta menos com pulsos telefônicos, pois tudo pode ser lido desconectado. E não exige a presença de todos ao mesmo tempo em um website na rede.

Paralelo ao evento, foi criado um cibercafé virtual, também nos dois idiomas, no qual os participantes podiam falar de generalidades e até entrar diariamente, toda noite para um chat.

Cada membro pagou R$ 50,00 para perguntar e receber quase dez mensagens diárias durante uma semana.

Azevedo avalia agora custos e receitas para preparar novos encontros virtuais internacionais, com o mesmo charme da tradução simultânea.

A Aquifolium usou no evento as ferramentas gratuitas do servidor www.escribe.com.

Os palestrantes, ao longo dos sete dias, reafirmaram alguns conceitos:

- Cursos sem interação entre os alunos e professores não atraem público e não são eficientes.

- É preciso definir bem as normas para evitar problemas futuros com os matriculados.

- Todos devem assinar, previamente, um termo de compromisso, aceitando as regras estabelecidas.

- Os mal-educados, quando quebrarem a etiqueta, depois de avisos particulares, devem ser afastados.

Assim, está lançado o chat cabeça, a custos acessíveis, bem eficiente, que abre um novo caminho de aprendizado na Web.

 
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