Na estante perdida da biblioteca do meu clube, achei o livro antigo Fernão de Magalhães, de Stefan Zweig. Magalhães foi um português, que comandou uma frota espanhola, que saiu em 1519, de Sevilha, para descobrir uma passagem pelo Ocidente rumo ao Oriente.
Conseguiu. Passou pelo estreito, que leva seu nome, pelos lados da Patagônia, e parte da sua frota foi a primeira a dar a volta ao mundo (ele morreu pelo caminho).
Confirmou-se, assim, a teoria: a terra é realmente redonda!
Aos curiosos: www.vidaslusofonas.pt/fernaomagalhaes.htm
Hoje, vivemos um choque cultural parecido: somos a primeira geração da internet. E sofremos o impacto dessa descoberta. Semana passada, estava diante de uma turma de Comunicação com a pergunta recorrente:
"Afinal de contas, o que o ciberespaço traz de novo?".
O francês Pierre Lévy é o mais lúcido entre os tantos autores que já li. Em destaque os livros: Cibercultura e A Conexão Planetária, ambos da Editora 34.
Outras obras interessantes de outros estudiosos:
Futurize a sua empresa - David Siegel, da Futura;
Regras para Revolucionários - Guy Kawasaki, da Campus;
Blur - Stan Davis e Christopher Meyer, da Campus.
Eis aqui um resumo, com algumas adaptações, da visão de Lévy sobre a história dos seres humanos, levando-se em conta a comunicação entre interlocutores e receptores:
Comunicação oral - um interlocutor para um receptor, com necessidade da presença física entre os dois.
Escrita manual - um para alguns, sem a necessidade da presença física;
Livros impressos e jornais - um para muitos, sem a necessidade da presença física;
De massa (rádio e tevê) - um para muitos, ao mesmo tempo, sem a necessidade da presença física.
Internet - um para muitos, um para um, muitos para muitos, sem a necessidade da presença física, ao mesmo tempo, ou não, conforme a preferência.
Assim, o que a rede traz de novo, comparado ao que tivemos até aqui, é a possibilidade, finalmente, da interação coletiva.
E ainda da geração de conhecimento, a um custo reduzido, entre pessoas distantes, que inclui um novo modelo de troca de informações e mercadorias entre as empresas.
Exemplos: sites que os leitores lêem, opinam, votam, além de blogs, chats, listas de discussão, leilões virtuais, produtos feitos por encomenda e entregues na casa do comprador.
Os projetos que apontam nessa direção de interação e personalização tendem a se popularizar. Ou seja, entramos na Web para ter algo diferente.
E se pressinto que estou sem isso, clico e vou para onde atendem o meu instinto internauta de navegar em um novo ambiente.
Me perguntam: o que você acha daquele determinado website? Quais são as ferramentas? A que custos? Como elas se encaixam no objetivo do criador? O projeto entendeu a circunferência? Ou simplesmente vê o planeta achatado?
Como Magalhães, descobrimos um estreito na imensidão do mar. Resta-nos abrir as velas do nosso barco e o nosso espírito.
E a cada conectada, acreditar realmente que estamos diante de mundo diferente e cada vez mais redondo, redondo, redondo...