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O sapato alto e branco de Napoleão
(Artigos do Nepomuceno - 11/07/02)

A Copa do Mundo reafirmou algumas verdades.

A mais cristalina: não se deve dormir no trono, seja por preguiça ou vaidade, pois vem outro rei e toma a sua coroa (vide Zidane, Batistuta e Figo).

Acontece nos gramados e na área de tecnologia.

O Windows é, há anos, o sistema operacional dos micros domésticos, mas o Linux se avizinha.

O Palm OS deve ter cuidado com o Windows CE. O Internet Explorer precisa analisar o Netcaptor (www.netcaptor.com - link inválido) e tomar precauções com o Mozilla (www.mozilla.org), um software livre de código aberto.

E o Google pode olhar com mais atenção o Wisenut (www.wisenut.com), o Teoma (www.teoma.com) e o velho Altavista (www.altavista.com) - um dos buscadores pioneiros da Web.

Obviamente, todo produto hegemônico tem um ciclo: criação, difusão, predomínio, decadência e o surgimento de novos concorrentes.

O Google está na crista da onda na praia das buscas, mas, mesmo ele, tem dado algumas cochiladas.

O Altavista, líder do setor por anos, depois de longo silêncio, começa a se recuperar. Lançou este mês o Prisma - funcionalidade que simplifica o refinamento de uma determinada pesquisa.

Quando se faz uma investigação por "Beatles", por exemplo, o portal depois de apresentar os resultados, sugere no topo da página palavras-chaves relacionadas para auxiliar os internautas. Entre elas: George Harrison, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr, Rock, Songs.

O Prisma só está disponível no site americano (www.altavista.com), mas deve ser agregado ao canal brasileiro em breve. Mais detalhes: www.altavista.com/r?pripro

Na verdade, o conceito do Prisma não é novidade. É uma saudável tendência que o Lycos, o Wisenut e o Teoma, entre outros,adotaram.

O Google está naquela fase que não imita ninguém.

Atualmente, tem se esforçado para apresentar novidades a cada mês. Nem sempre, porém, elas são relevantes.

Peca também por desprezar as boas iniciativas da concorrência.

Hoje, o esforço é para melhorar a relevância dos resultados e um investimento pesado para facilitar o refinamento das investigações mais complexas.

O Altavista, por exemplo, oferece, há alguns meses, na busca avançada, um filtro para apresentação de, no máximo, dois sites repetidos a cada resultado - recurso que reduz a poluição.

Já o Teoma apresenta agora uma lista paralela de sites de especialistas e aficionados para cada palavra-chave inserida, o que é bem interessante.

O Google, entretanto, do alto da sua liderança, supre as necessidades mais vitais de qualquer internauta: uma página de consulta extremamente clean, que virou padrão no mercado, e uma extensa base de dados, que possibilita respostas rápidas e relevantes.

Comparem, por exemplo, o retorno em número de links em uma investigação por ("John Lennon" Beatles) entre o Altavista (56.603) e o Google (161.000).

Não é à toa que no ano passado o Yahoo!, a UOL e a Globo adotaram essa tecnologia.

Quem cresce, porém, infelizmente, tende à lentidão, à prepotência e acaba por calçar o sapato alto e branco de Napoleão. Tropeçar e cair depois é mera conseqüência.

O simpático Google deve tomar cuidado.

 
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