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O ofício do colunista
(Artigos do Nepomuceno - 12/12/02)

Há cinco anos escrevo uma coluna semanal sobre tecnologia para o Jornal da Tarde, de São Paulo, republicada em diversos outros sites na Web.

De quando em quando, alguém me pergunta sobre esse ofício. Eis, afinal, um resumo.

O exercício começa com a coleta, ao longo de várias semanas, de informações, sentimentos, estórias e, um belo dia, percebe-se que se pode agrupá-las.

Eureca! Isso dá um artigo!

Quando tenho os elementos básicos, parto para um rascunho.

Geralmente, entrego o artigo na sexta. Até quarta, o tema deve estar escolhido e, de preferência, com um primeiro esboço colocado na tela.

Algumas idéias adicionais se somam e até quinta à noite, vou costurando, em pequenos intervalos de trabalho descontinuado, o conceito e o ritmo do texto.

Depois disso, deixo tudo descansar e na manhã de sexta, finalizo.

Peço ajuda para o software Cyberbud (thecyberbuddy.com/Page11.html), que lê em voz alta a coluna.

É uma forma de "pescar" vários erros, sentir o ritmo, descobrir falhas de concordância e palavras repetidas, bem como, melhorar a lógica do que se quer transmitir.

Descobri que melhoro bastante a qualidade do trabalho quando o computador lê tudo para mim.

Refaço o processo diversas vezes (o micro não cansa!), até conseguir escutar todos os parágrafos sem alterá-los.

Uso o contador de palavras do Word ao final de cada leitura, para evitar que a coluna ultrapasse o limite de, no máximo, 3.090 caracteres (com espaço) imposto pelo jornal impresso.

Quando me sinto satisfeito e o texto está no tamanho adequado, passo o pente-fino no português, depois o revisor ortográfico.

Tento, por fim, me adequar ao padrão do jornal. Notem, por exemplo, que alguns veículos gostam de "on-line" e outros de "online".

Sempre observo as correções feitas pelos revisores do jornal para identificar possíveis alterações e, assim, vou me aperfeiçoando.

Redigi um pequeno documento, no qual registrei os meus principais "defeitos" e, antes de enviar um novo artigo, verifico se os estou repetindo.

Produzo, pelo limite do jornal impresso, no máximo 3.090 caracteres (com espaço), medidos pelo processador de texto.

Um dos pontos vitais no meu trabalho é a escolha do público.

De maneira geral, penso sempre em passar algo útil para alguém em especial, pois assim projeto minhas idéias no real e, de certa forma, acredito atingir a outros com problemas similares.

Identifico, assim, as preocupações de um grupo de amigos, que são usuários intermediários de informática e para esse perfil redijo a coluna.

Isso não impede que alguns parágrafos atendam a segmentos de usuários mais experientes e outros, a neófitos.

Procuro títulos insólitos, frases e parágrafos curtos e sentenças de efeito aqui e ali para manter o interesse do público. E, geralmente, arrisco um desfecho que dê sentido ao todo.

Levar o leitor até o último ponto final, aliás, é um dos maiores desafios dos redatores modernos nesse nosso planeta com excesso de informação.

A grande vantagem de escrever toda a semana, na verdade, se resume a uma infinita certeza: depois de cada sexta, sempre vem uma segunda e, com ela, uma tela em branco a ser preenchida.

 
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