A recente polêmica sobre a escolha do Windows como o sistema operacional padrão nos colégios públicos brasileiros mobilizou a comunidade virtual. E trouxe uma questão de fundo: qual deve ser o aprendizado de uma criança ou de um adulto para lidar melhor com o computador?
De maneira geral, aprender informática significa hoje sentar em uma sala de aula e decorar uma série de comandos de um determinado programa. Fazer um curso de Photoshop, Word, Excel, etc.
Nos perdemos nos detalhes, sem uma razoável noção do todo, ou do leque de tarefas necessárias para lidar bem com essa máquina. Costumo encontrar pessoas, que são exímias em vários itens, mas se descabelam por pequenos problemas básicos.
Devemos procurar um equilíbrio.
Um micro, tão dinâmico e complexo, exige, diferentemente do carro, da televisão e mesmo do vídeo, um exercício fecundo e contínuo, não burocrático, para ser dominado.
Ele reúne uma gama de alternativas de uso. Passou a ser a ferramenta principal de acesso à informação e ao gerenciamento de todas as atividades do indivíduo do século 21. Sem um uso adequado, esse usuário incompleto sentirá alguma dificuldade para conviver nessa nova sociedade.
Geralmente, passamos as seguintes etapas nesse contínuo exercício: perder o medo, aceitar o preço da tecnologia, ajustá-la e fazer do equipamento, ao longo do processo, um espelho, onde possamos nos reconhecer.
Precisa-se assim não odiá-lo. Ele tem suas idiossincrasias e, se não as respeitamos, é briga na certa. Uma eficiente introdução para o aprendiz é fundamental para suavizar essa jornada.
Podemos abordar as noções necessárias para ajudar a uma pessoa a chegar a esse relacionamento confortável em dez tópicos.
Assim, sem uma ordem cronológica fixa, sugiro esses pontos para constar da formação de seres digitais seguros e, quem sabe, transformadores, em oposição à instrução de memorização apenas de seqüências de cliques.
Seguem os itens:
1. Manipular o micro e seus periféricos – ligar, desligar, imprimir, trocar o cartucho da impressora e ter algumas preocupações posteriores: usar um scanner, um handheld, uma câmera digital e respectivos sucessores. Plugar as tomadas certas atrás do aparelho. Recomenda-se aulas de digitação.
2. Preservar o ambiente – condutas para lidar com novos arquivos enviados por terceiros, ativar antivírus, preservar os dados, através de backups regulares.
3. Gerenciar arquivos e pastas – reconhecer os diferentes tipos, criar, deletar, mover, copiar, formatar e ainda compactar e descompactar, salvar no HD, no disquete, no CD.
4. Pesquisar informações – no seu micro, nos CDs, na internet, e, nesta última, conhecer as diferentes fontes de informação, adequadas para cada busca.
5. Trocar correspondências eletrônicas - anexar documentos, cópias para um e para muitos, regras de conduta, filtrar e organizar mensagens, assinar as mesmas. Utilizar mensageiros instantâneos com desenvoltura (ICQ, por exemplo).
6. Escrever com destreza – dominar o processador de textos, com todos os recursos de fontes, rodapés, numeração, revisão ortográfica, sinônimos, tabelas.
7. Visão geral de aplicativos de apoio - conceitos de uma planilha, um banco de dados e um sistema de apresentação de palestras.
8. Atualizar a máquina – instalar novos periféricos e programas. Baixá-los da internet. E mais adiante, conhecimentos genéricos de componentes da CPU e suas implicações com o desempenho do nosso trabalho. Habituar-se a usar os helps de hardware e software.
9. Publicar na rede – noções de html e inclusão de textos, sons e imagens no ciberespaço, através de FTP, blogs, webjornais.
10. Compartilhar conhecimentos – conhecer os debates eletrônicos da Web, entrar, sair, participar e encontrar os da sua área de interesse. Depois, criá-los e moderá-los.
Notem que eu passo de temas mais gerais para pequenos detalhamentos. Mas é justamente a tentativa de criar uma base sólida e variada. Alguns novos tópicos podem entrar, outros virem a ser mais enfatizados, outros menos.
Os capítulos acima estão em constante evolução e devem ser atualizados constantemente, como uma rotina nas nossas vidas - quase igual ao hábito mensal de cortar o cabelo.