Eu não quero mais saber de novidades, mas só das "importanticidades".
Tudo muda tanto: programas, versões, equipamentos, acontecimentos, detalhamentos...
Vejam, por exemplo, o tão badalado lançamento natalino do Windows XP, da Microsoft. Os amigos não querem migrar por receio ou falta de dinheiro. Têm que comprar o software, mais memória, mais HD, mais o quê mesmo? Um outro micro?
Muitos dos aventureiros que instalaram voltaram atrás: alegam falta de drivers para os periféricos que já tinham - uma câmera digital incompatível, a webcam, o scanner.
E pergunto: como pode um novo sistema operacional da Microsoft não reconhecer os equipamentos que as versões mais antigas do Windows já o faziam? Não seria algo inerente ao computador: somar conhecimentos e não subtrair?
Essa falta de preocupação, a meu ver, é grave e reforça aquele conceito puro, sem gelo: jogue fora e compre mais! Ou ainda: usuário bom é aquele que consome produtos novos cegamente.
Diria eu: usuário bom é o que consegue tirar o máximo de produtividade, gastando menos e consciente das mudanças que realmente importam para atender aos seus principais problemas.
A questão central, então, não está na ansiedade de instalar as novas versões dos programas, mas o uso adequado das que já existem.
A maioria não usa 10% dos recursos dos softwares que já têm no computador e há quem proponha que ele salte para uma nova etapa???!!!
Eu fiquei bastante decepcionado, por exemplo, com a última atualização (2001b) do ICQ, que simplesmente tirou o Reminder, um acessório interno que eu usava muito para lembrar de compromissos.
Quase voltei atrás, não fossem os bugs que foram solucionados em outras áreas. Ou seja, ali eu não queria as novidades apresentadas, mas apenas os acertos dos problemas antigos. Se tivessem algo assim, eu adoraria.
A tese se aplica também ao XP. Que tal a Microsoft lançar um Windows 98 sem bugs? Upgrade grátis para quem comprou o pacote há dois anos?
A indústria da tecnologia da informação vai ter que dar uma guinada nos próximos anos, pois quem está diante da tela não é mais o fã da informática ávido por novos brinquedos, mas o usuário comum, necessitado de soluções, que caibam no orçamento.
O computador para esta nova massa é semelhante a um telefone, um fax, um celular. Tem que ser prático, não dar problemas e ponto final. Mudar sim, mas com calma.
Que os incentivadores do consumo desenfreado me desculpem, mas o problema maior do mundo moderno é menos comprar e mais aprender a lidar bem com o que se tem.
Quanto mais eu mexo no computador, mais acredito que as importantes mudanças passam pelo ser humano.
Precisamos dominar novos conceitos - se me permitem, - filosóficos e existenciais para lidar, poder interagir e modificar esse novo planeta conectado. É uma mudança delicada e demorada.
Temos que saber filtrar o que é o discurso vanguardista de consumo, das reais necessidades, para chegar ao que realmente deveria importar ao cidadão: a capacidade de usar e transformar a tecnologia para melhorar a sua vida e de toda a sociedade.
O resto é marketing.