Duas notícias boas, entre tantas ruins na internet brasileira, trouxeram um pouco de alento. Uma é a iniciativa do governo federal de estimular o lançamento no mercado de um micro de fácil acesso à internet pela bagatela de R$ 400. A outra se refere aos projetos do governo do Rio Grande do Sul e da prefeitura de Porto Alegre de utilizar apenas softwares abertos em seus futuros sistemas. Ambos os projetos estão baseados em Linux.
Nos dois casos, o barateamento das despesas se justifica pelo corte de custo e pela propalada e batizada "universalização da internet". O governo do Rio Grande do Sul está colocando micros com Linux nas escolas para dar oportunidade de acesso aos setores menos favorecidos da população.
Minha alegria, entretanto, não está completa, pois junto com o conceito de dar terra a quem trabalha, tem de vir agregado o de dar condições de plantio e distribuição para quem tem terra.
Uma política de socialização da internet deve ser atrelada, sem falar no problema do telefone, a uma política de educação on-line. Uma pergunta é básica: acessar a internet para quê? Se a resposta for o acesso a sites de sexo, salas quentes de bate-papo ou apenas informações que qualquer revista da banca de jornal tem aos montes, o custo-benefício de todo o esforço não vale a pena.
Acabo de ler uma tese de mestrado bastante pertinente para estes nossos tempos, do agora mestre Renato Rocha Souza, "Aprendizagem Colaborativa em Comunidades Virtuais", apresentada no programa de pós-graduação em Engenharia de Produção da Universidade de Santa Catarina (www.sea.pucminas.br/html/Disciplinas/SlidesIF/Dissertacao).
Ele investiga três listas de discussão na internet, entrevista seus membros e constata que quase 100% dos entrevistados reconhecem que o espaço informal desses fóruns é fundamental como um canal de aprendizagem.
"Eles (os usuários) mostraram que esses ambientes podem ser excelentes espaços de aprendizagem, em que a socialização, o contexto e as interações permitem a construção significativa de referenciais particulares, numa configuração dificilmente alcançada pelos espaços tradicionais de ensino e aprendizado, se tomados de forma isolada."
Na verdade, junto com um grande projeto de socialização deve haver uma grande política nacional de estímulo, formação e informação sobre uso, criação e moderação de comunidades em rede - a política mais barata e eficiente de treinar pessoas na internet.
De tal forma que os próprios usuários, por sua área de interesse, troquem experiências sobre seu tema e o uso das tecnologias. Um trabalho simples e barato que renderia frutos, como um micro de R$ 400.
Fico com a máxima, então: favoreça a conexão, mas dê condições aos usuários, em seus fóruns, para que ele evolua na vida on-line de forma saudável e produtiva. Amém.
Vírtua - cresce em todo o País a insatisfação dos usuários com o serviço oferecido pelo Vírtua. Recebi várias mensagens a respeito.