Conhece a piada do automóvel?
Três engenheiros vinham pela estrada em um carro, que pifa de repente. O elétrico arrisca: “É a bobina! Tem que trocar”. O mecânico: “Não, é o motor. Há que retificar”. E o da computação complementa: "Que nada, sai todo mundo, voltamos, ligamos de novo, que vai funcionar!" :)
Pois bem, para cada problema, chega-se a uma proposta de solução distinta, dependendo da formação de quem opina.
Hoje, vivemos esse dilema na Internet. Queremos cada vez mais a eficiência dos websites, mas o resultado final pode deixar a desejar.
Será um problema da visão do projetista?
Um exemplo: outro dia, queria ir ao cinema com as crianças e, como sempre, procurei adquirir o bilhete pela rede.
O www.ingresso.com.br não conseguia fechar de jeito nenhum a compra pelo cartão e não apresentava uma explicação automática plausível para o erro.
Resolvi arriscar e ir sem o ticket. Meia hora de engarrafamentos depois, na porta do cinema, fui informado que a sessão estava lotada.
Santo erro!
O Brasil tem bons sites, é verdade, inclusive o citado acima, que uso toda a semana.
Mas sofremos todos de um dos clássicos problemas na Web: não temos ainda uma geração bem preparada de profissionais para entender e atender à necessidade real do usuário.
Ou seja, a página web reproduz a cabeça de quem a concebeu.
Tem muito pisca-pisca? É trabalho de um programador visual empolgado. É um emaranhado de sistemas sem nexo? Foi feito por um analista de software, disposto a estar na ponta da tecnologia.
Afinal de contas, pergunta-se: qual é o profissional do mercado que reúne hoje as melhores condições para liderar um empreendimento desse tipo?
O homem de marketing, da informação, o analista de sistemas, o artista visual?
Esse "cozinheiro", independente do perfil, tem de conhecer todos os ingredientes. E, além disso, principalmente, criar uma sensibilidade para respeitar a vontade dos cliques dos visitantes.
A Campus lançou oportunamente este mês o livro “Homepage – usabilidade, 50 websites desconstruídos”, de Jakob Nielsen, o defensor da simplicidade do uso na Web.
Muita gente não gosta dele, que, verdade seja dita, tem realmente o seu lado Felipão - um tanto dogmático.
Mas a publicação é corajosa. Reproduz a imagem de cinqüenta homepages badaladas, que são avaliadas, naquilo que podem melhorar.
Yahoo!, Microsoft e IBM, por exemplo, estão na berlinda.
Se você gosta de Websites, o livro vale uma folheada. Se desenvolve, passa a ser fundamental para concordar ou discordar. E, se a sua praia é treinar líderes de projetos, vale colocar na lista do curso para os alunos.
É colorido, tem 315 páginas e um preço salgado: R$ 120,00.
Algumas dicas básicas do autor:
Exibir o nome da empresa em um tamanho razoável;
Incluir um slogan para explicitar o que ela faz;
Enfatizar as tarefas de mais alta prioridade para os visitantes;
Evitar redundância e diferenciar os links para fácil visualização.
É um bom ponto de partida para responder à questão crucial: por que motivo tantos websites param de funcionar e atulham o acostamento dessa nossa estrada virtual?
Será a bobina?