As férias de trinta dias do presidente do país mais rico do mundo geraram um reboliço tremendo. O mandato não completou seis meses e GW foi para sua fazenda no Texas jogar golfe e só sai de lá em setembro.
No país de Wall Street, onde o trabalho é quase uma religião, sumir da Casa Branca durante tanto tempo é algo que não se via há 32 anos. O fato reabre uma discussão atual e cada vez mais instigante no século XXI.
Afinal, o que valerá mais no futuro: tempo trabalhado ou a qualidade dos resultados?
“Tentamos julgar os indivíduos não pela quantidade de tempo que gastam, mas pelo que realizam por períodos relativamente longos, (..) de seis meses a um ano”, escreve Pekka Himanen no livro A Ética dos Hackers e o Espírito da Era da Informação, lançado este mês, pela editora Campus.
“Os hackers querem fazer algo de significativo; (...) criar e ao mesmo tempo (..) evitar atividades que não resultam oportunidades para isto”.
Uma entrevista em português como o escritor pode ser lida em:
www.nova-e.inf.br/pensadores/pekkahimanen.html
Na verdade, esta é nova a lógica dos novos trabalhadores de conhecimento, que desejam se dedicar apenas ao que gostam e aliar a labuta ao lazer.
É o caso, por exemplo, do Google - líder entre as ferramentas de busca na Internet - que incentiva os jogos de hockey nos intervalos do almoço e os triciclos encostados ao lado das mesas dos computadores.
Quem quiser ver as fotos por curiosidade:
www.google.com/jobs/culture.html
O motivo da valorização da criatividade ao extremo é algo muito menos altruísta do que se possa imaginar: as idéias originais passaram a ser moeda fundamental na competição das companhias de ponta. Quem tem imaginação, faz dinheiro.
“Aquilo que deveria interessar à empresa não é a fidelidade à quantidade de horas passadas no escritório, mas a quantidade e qualidade de idéias produzidas, a capacidade de realizá-las, a atitude de adaptar-se as situações sempre novas, a velocidade de atualizar-se profissionalmente, uma ótica internacional dos problemas, a capacidade de comunicação, a seriedade, a ética e a estética”.
É o que postula Domenico de Masi, em entrevista para a Folha de São Paulo em abril deste ano. Leia mais sobre as idéias do autor no seu polêmico e instigante livro O Ócio Criativo da editora Sextante.
Eis, então, algumas dicas para você se preparar para este futuro: estude sempre, valorize o lazer, a família os amigos, tenha atividades lúdicas. Não trabalhe apenas por dinheiro, mas pela paixão, descubra o algo a mais em você, sua personalidade, suas aptidões, seu jeito de ser e aquilo que você pode desenvolver de valioso para ser cobiçado pelas empresas.
Estes novos paradigmas já são requisitos importantes para definir novas contratações para a área de tecnologia. Os profissionais de recursos humanos têm assim um enigma cotidiano a decifrar:
(O mesmo, aliás, do povo americano, frente às inusitadas férias do presidente George Bush.)
Afinal, este que clama por descanso para ser mais inventivo é realmente um gênio ou apenas um preguiçoso que não gosta de trabalhar?