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O presente artigo trata dos seguintes assuntos:

- alunos
- comunicação
- comunidade
- conteúdo
- Crie (UFRJ)
- Escola 2.0
- ferramenta Web 2.0
- gestão
- Gestão de Conhecimento
- IBM
- Icox
- Lotus Connections
- MBA
- nova sociedade
- orkuff
- orkut
- paradigma
- Pierre Lévy
- professor
- redes sociais
- software livre
- Universidade Federal Fluminense (UFF)

 


 
 

Em busca do computador invisível

A sociedade está pronta para a Web 2.0?
Estamos diante de um impasse: uma nova geração sabe como é bom e produtivo estar em um ambiente como o Orkut. Mas a escola, a empresa e a própria sociedade não estão preparados para essa nova realidade.
16/08/07

Fui almoçar com um professor da Universidade Federal Fluminense.

Ele é um dos entusiastas do uso das redes sociais na UFF e está experimentando o Orkuff, projeto que utiliza o Icox, software livre para criação de redes sociais.

Pois bem, discutimos como foi o primeiro semestre, no qual ele abriu uma comunidade para que os alunos de sua turma administração participassem.

Professor - Nepô, os alunos não estão participando, preferem o Orkut.

Eu - Você alterou algo na sua disciplina para que eles participem?

Professor - Não, a estrutura é mais ou menos a mesma.

Nepô – Talvez aí esteja o problema.

Saí pensando sobre o assunto e estou cada vez mais convencido que não adianta querermos implantar um novo paradigma de comunicação das redes sociais em estruturas hierárquicas e verticalizadas, como tradicionalmente é o caso de uma universidade.

No livro O Lado Oculto das Mudanças - A Verdadeira Inovação Requer Mudança de Percepções, de Luc de Brabandere, o autor diz uma verdade muito inquietante.

Primeiro, precisamos mudar a maneira como vemos o mundo para depois conseguir alterá-lo.

Assim, a prática de instalação do Icox, na UFF e em outros locais, tem demonstrado que não basta uma ferramenta Web 2.0 em uma escola ou empresa 1.0.

Ou se muda a empresa e a escola, construindo uma nova maneira de organizar a estrutura, ou os projetos Web 2.0 serão muito interessantes, bonitinhos, modernos, mas tendem ao fracasso.

Notem que o Orkut, por ser implantado na rede, aterrissou em cima de uma estrutura física inexistente, reunindo pessoas e criando uma nova forma de organização social, na qual o conteúdo vem de baixo para cima.

As pessoas passam a ter uma identidade, definem gostos e dizem com quem querem se relacionar.

Ao migrar esse conceito para estruturas reais, obviamente haverá uma falta de sintonia entre a organização na web e a que existe fora dela.

Uma coisa passa a não rimar com a outra. Claro que já existem empresas que trabalham mais em rede do que outras e essas terão mais facilidade, mas, de qualquer forma, a liberdade de participação nas pontas é um choque cultural gigantesco.

(A IBM, por exemplo, está vivendo um projeto desse tipo e acaba de lançar o Lotus Connections, que é apenas um Orkut para grandes empresas.)

Assim, projetos Web 2.0 não são tecnológicos, mas culturais, de gestão, que deve envolver uma reflexão de toda a organização e não apenas mais um projeto “da galera da informática” ou “da gestão do conhecimento”, ou “do Recursos Humanos”.

Não basta instalar uma ferramenta.

No fundo, estamos diante de um impasse.

Uma nova geração está vendo como é bom e produtivo estar em um ambiente como o Orkut, mas a escola, a empresa e a própria sociedade não estão preparadas para essa nova realidade.

Agora é um problema de cabeça e não mais tecnológico, já que o Icox, por exemplo, está na rede e é de graça!

Diante disso, tenho tentado em outro projeto no curso de MBA em Gestão de Conhecimento Crie da UFRJ repensar a própria escola.

Neste semestre, os alunos fizeram como trabalho de final de curso o que seria a tal Escola 2.0. Podemos dizer que não sabemos exatamente o que será, mas já temos algumas pistas do que com certeza não pode mais ser, a saber:
Por que uma turma que sai de uma disciplina não deixa nada para a nova que vai entrar e por que não continua acompanhando as novidades, caso queira, em um ambiente virtual?
Por que os alunos não podem ler o trabalho dos outros alunos entregues hoje apenas para o professor, ampliando a responsabilidade do professor ao dar nota e do aluno ao publicá-lo?
Por que os novos alunos não podem melhorar o trabalho dos ex-alunos?
Por que todos os alunos e professores não podem ampliar os links, bibliografias, vídeos, áudios, num processo contínuo, criando algo como a “disciplina que aprende”, durante e depois do curso?
Por que disciplinas com o mesmo conteúdo em outras instituições não podem compartilhar o mesmo assunto, criando um anel de conhecimento multi-instituições?

Ou seja, como disse Pierre Lévy na sua entrevista, nessa visita recente ao país, em agosto de 2007, acredito que a web veio para mudar o mundo e construir uma nova sociedade.

Qualquer coisa diferente disso, infelizmente, ou felizmente, vai se mostrar capenga e não vai dar certo!

Se não é para mudar de fato, sugiro não se mexer com a Web 2.0. Vai ser gastar tempo e dinheiro e o tiro pode sair pela culatra!
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