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O quilo musical
(Artigos do Nepomuceno - 16/11/01)

Não existe nada mais representativo do século 21 do que um restaurante a quilo: come-se rápido, escolhe-se o que se quer e paga-se exatamente pelo que foi consumido.

Depois da internet, não vejo nada que se espalhou tanto pelo mundo!

Estava a divagar sobre o tema enquanto baixava alguns megabytes de música pelo Morpheus.

Baixe em: www.musiccity.com

Ele e outros vieram substituir o Napster na função de compartilhamento de músicas e outros arquivos pela Web.

Na semana passada, contabilizava um total de 1,25 milhão de downloads na CNET.

Confira em: download.cnet.com (Most Popular)

Fiz uma verdadeira mistureba no meu prato no "restaurante" do Morpheus.

Baixei uma versão de "Era um garoto que como eu..." com os Engenheiros do Havaí, outra com os Incríveis e, para arrematar, a original em italiano:

"C´era un ragazzo che como me" com Gianni Morandi.

Peguei umas dez diferentes de "Try a little tenderness", várias do Mozart, da Jovem Guarda e ainda a versão de "Sozinho" com Caetano Veloso, ao vivo.

Nela, ele comenta que ouviu a canção no rádio com o Tim Maia. Vapt-vupt: dez minutos depois, estava com a voz grave do moço a tocar na caixa.

Personalização é a palavra que resume o desejo de consumo do homem moderno.

E essa vontade é a que vai impulsionar a mudança na indústria fonográfica: o fim do cardápio fixo.

#Quero agora fazer ou receber CDs customizados. Não me importaria pagar por isso, mas me parece cada vez mais absurdo adquirir um álbum, quando gosto de apenas duas composições.

E mais: quero definir a seqüência como já fiz há tempos ao produzir aquelas fitas antigas para um cassete, mas agora com todos os recursos de um computador e da internet.

Essa vida de CD personalizado, entretanto, já tem o seu preço.

A música, por enquanto, é de graça, mas o em torno, não...

Cada arquivo MP3 tem uns 3 MB. Os videosclipes já chegam aos 30 MB. De repente, o HD, que era algo espaçoso, vira uma quitinete.

Pode-se salvar tudo em CDs, mas para isso é necessário comprar um gravador de CD. Vão aqui alguns macetes para os que pretendem se aventurar no vício:

Se você tem uma banda pequena, pode limitar o número de usuários que poderão dar upload do seu computador. E até não compartilhar mais;

Para queimar os CDs, opte pela versão free do Musicmatch Jukebox.

Aponte para: www.musicmatch.com (há uma versão em português);

Crie uma playlist para selecionar as faixas (geralmente em um CD cabemumas 20);

Toque a playlist antes para ver setodos os arquivos estão inteiros, muitas vezes são cortados antes de acabar a faixa;

Um bom grupo de discussão em português:
www.uol.com.br (Mundo Digital/ uol.mundodigital.hardware.cd-rw).

Por fim, saiba que o Morpheus e os similares não são servidores com conteúdo fixo, mas comunidades que compartilham.

Assim, uma raridade que aparece às 22 horas pode sumir às 22h05: basta o internauta que a possui se desconectar.

É uma feira pós-moderna, onde nos reconhecemos e cada um faz o seu prato. E como canta aqui Raul Seixas no MP3 "Sociedade Alternativa":

"Se eu quero e você quer tomar banho de chapéu. Ou esperar Papai Noel. Ou discutir Carlos Gardel. Então vá".

 
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