O Brasil define esta semana boa parte do seu futuro
A Oficina de Inclusão Digital (www.inclusaodigital.org.br - link inválido) costura esta semana em Brasília a estratégia do Governo Federal e das organizações não-governamentais contra o analfabetismo virtual. Queremos passar dos atuais 4,0% de internautas brasileiros para um uso massivo, inteligente e criativo da Internet. A verba: 1,5 bilhão do FUST - Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações.
Ver em: www.cnol.com.br/cnol/leis/2000/agosto/9998.shtml
O coordenador do projeto Sociedade da Informação do Ministério da Ciência e Tecnologia, Tadao Takahashi, acredita ser possível plugar 20% dos brasileiros, até 2003.
Ver em: http://oglobo.globo.com/framenoticia.asp?mat=/economia/07eco10.htm (link inválido)
Mais empolgado, o assessor para Novas Tecnologias da Secretaria de Comunicação do Governo Federal, Antônio Celso de Paula, aposta conectar 50%, até 2002 (mais gente em menos tempo).
Ver em: http://idgnow.terra.com.br/idgnow/internet/2001/05/0022
Na primeira avaliação, teríamos 34 milhões e na segunda 85 milhões de brasileiros no ciberespaço - uma diferença considerável de 50 milhões entre duas fontes do mesmo Governo. A discrepância mostra o pouco efeito prático de se conduzir esta discussão em termos numéricos.
O próprio Takahashi previu que as atividades dos novos internautas devem ser o uso do "e-mail certamente, acesso à pornografia e joguinhos... Mas uma parcela apreciável desse pessoal vai também encontrar uso nobre para a coisa". São três, portanto, as questões para se avaliar neste projeto em 2003: quantos somos, quem usa e de que forma?
A princípio, a estratégia de muitos países de tentar conectar o maior número de habitantes - no prazo mais rápido possível - parece ser a mais democrática e com mais efeitos de mídia. Entretanto, pode ser a mais onerosa e apresentar menos resultados para o desenvolvimento das chamadas causas nobres do uso da Net.
Na nossa inclusão digital - se quisermos criar um diferencial de país emergente - devemos privilegiar e garantir que todos os multiplicadores inteligentes da sociedade: professores, bibliotecários, líderes comunitários, pesquisadores, entre outros, estejam bem treinados, diante de uma máquina competente e de fácil uso. E ainda com ótima conexão, com tempo para navegar, trocando experiências entre si e reciclados à distância.
Os efeitos geométricos desta forma de inclusão trarão para o ciberespaço brasileiro os outros segmentos da sociedade: estudantes, os usuários das bibliotecas e as outras parcelas da população. O que garantirá a quantidade na qualidade naquilo que a rede tem de melhor: seu fator de multiplicação do conhecimento.
Uma máquina e um modem até fazem barulho, mas não criam eco.