Na semana passada - a mesma que o Virtua anunciou que vai abonar a conta deste mês de todos os assinantes por falta de condições de atendê-los adequadamente - tivemos o I Rio Telecom 3G International Conference para discutir as perspectivas futuras do celular multimídia. É a promessa agora de banda larga no seu bolso para 2001. Haja fé!
Na Conferência, assisti a uma simulação no estande da Ericson, onde um usuário poderá teoricamente assistir TV dentro de um celular. Na verdade, nos corredores e no plenário havia um certo ar de indagação: sim, vamos ter condições dentro de uns dois anos de colocar um telefone móvel em banda larga a 2 Mbps, mas exatamente para quê? Todos especulam, mas ninguém consegue ainda prever exatamente que tipo de informação o ser humano desejará receber no seu bolso.
Todas as tentativas de fazer com que o celular pudesse ser algo útil, além de se falar de qualquer lugar para outro, ainda não seduziu internautas. No plenário, falou-se da experiência do I-Mode no Japão, que já consegue um respeitável número de 20 milhões de entusiastas, mas há quem duvide da saída do mesmo modelo para o mundo.Vejam (em inglês): www.stuff.co.nz/inl/index/0,1008,726323a1983,FF.html (link inválido). E uma FAQ completa sobre o produto em: http://imodelinks.com/desktop/faq.html.
O japonês acessa menos a Internet pelo computador de mesa do que outros povos e se adaptou rapidamente a um celular que possibilitava já em 1999 cumprir esta lacuna. O que deve pegar no mundo do modelo I-mode é a forma de cobrança: uma taxa fixa, independente o tempo de uso. Hoje, em média, um nipônico paga U$ 21,50 por mês para ficar pendurado direto na Internet pelo celular.
Só que o I-mode ainda não é terceira geração. Estamos ainda na fase 2G e, conforme previu a própria Anatel no encontro, o serviço será inicialmente para uso de uma elite nos próximos anos. O custo das tarifas será o principal calcanhar de Aquiles para esta difusão.O investimento necessário para colocar tudo rodando é muito alto - somado aos valores das licenças pagas pelas telefônicas aos Governos para poder explorar o serviço, que serão repassadas obviamente aos usuários.
Estes variaram de 575 dólares por habitante na Inglaterra, a zero na Suécia, que não cobrou nada pela licença (cálculo feito entre o que as companhias pagaram para explorar a banda 3G e o número de habitantes do país) Ver em: www.itu.int/ti/industryoverview/at_glance/UMTS2001.htm. Um ótimo artigo sobre o tema em: www.business2.com/content/channels/technology/2000/10/30/21535?page=2.
A agradável surpresa do encontro ficou a cargo do Presidente da Anatel Renato Guerreiro. Ele esclareceu que em um dos itens do edital das atuais novas licenças das bandas C, D e E já prevê que as empresas ganhadoras (Telemar e Telecom Itália Mobile (TIM)), já podem operar o serviço 3G, quando tiverem equipamento necessário, com previsão para o ano que vem. Ou seja, não teremos nova licitação para o serviço - o que causou um rebuliço no Hotel Sofitel em Copacabana, pois poucos sabiam deste detalhe.
Espera-se assim um serviço bom e barato, pois basta falar de banda larga para que o usuário nacional se arrepie todo: é uma mistura de medo e frustração. E fica a pergunta: afinal de contas o que queremos levar de informação móvel no nosso bolso?
Recomendo: estou lendo o livro Tecnopólio, de Neil Postman, da Nobel, uma verdadeira dinamite sobre a cultura americana e a tecnologia.