Faz uns dois anos que aposentei minhas chuteiras futebolísticas e passei a jogar tênis.
É um esporte promissor para quem tem mais de 40 e com características peculiares: você está quase sempre só, a não ser em jogos de dupla, participa integralmente do jogo e necessita 'conversar' o tempo todo com sua raquete.
Existe também uma filosofia básica: ganha quem erra menos. A cada set, desenvolvi uma teoria sobre a anatomia do erro.
Ou seja, não basta falhar, mas saber exatamente o motivo da tacada ruim.
Dividi assim, os desacertos em dois tipos diferentes. Técnicos: aqueles em que você não consegue, simplesmente, jogar a bola do outro lado da rede.
E os táticos, aqueles em que você consegue, mas quer tirar o adversário da jogada, procurando um ponto da quadra difícil de atingir.
Ou seja, a arte do tênis é saber quando podemos arriscar jogadas e quando temos de ser humildes para falhar menos nas bolas fáceis.
Passei a me interessar pelo assunto desde que me especializei no serviço de manutenção de websites, há quatro anos. E aprendi muito sobre a vida nesse exercício diário de identificar a origem das falhas.
De maneira geral, na informática e na vida, existem três fatores preponderantes que podem causar problemas no acompanhamento rotineiro de processos: pessoas, ferramentas e metodologia.
Suponhamos que temos um website com um link quebrado. Ou seja, você clica e a página do outro lado já não está no ar.
De quem é a culpa?
Metodológica? É feita uma verificação rotineira de todos os links?
Ferramental? Qual versão de programa é utilizada para isso? O recurso humano? A pessoa encarregada tem o perfil adequado para a função? Ganha bem? Foi treinada? Realiza as tarefas nos prazos estipulados? É bem supervisionada?
O mesmo se aplica quando queremos apertar um parafuso, mas a chave de fenda é muito grossa ou fina demais. Ou temos um problema físico no cotovelo que não nos permite empregar a força adequada para o aperto final. Ou, ainda, se a posição para realizar a operação não é lá muito confortável.
São, repito, problemas com ferramentas, pessoas e metodologias, respectivamente.
Outro dia, ia de carro pela estrada e na minha frente uma caminhonete transportava caixas de isopor. Ele não as acondicionou bem na parte traseira e elas iam pulando pelo asfalto.
Diagnóstico: maneira inadequada de amarrar a mercadoria, veículo inadequado para levar tantas unidades e uma pessoa descuidada. De novo, estão juntos os três fatores.
Na verdade, o trabalho de manutenção, apesar de rotineiro, exige criatividade e constante reflexão a cada tropeço.
O erro bem administrado é um grande aprendizado, mas, quando não analisado, é uma bomba-relógio na gaveta.
Para trabalhar em manutenção, as pessoas devem ser bem escolhidas. Pede-se tranqüilidade e responsabilidade.
Aqueles cujo temperamento é agitado, se adaptam mais à criação e ao desenvolvimento e menos à consolidação. Cada um nasceu de um jeito e para um estilo de jogo.
E, para concluir, uma frase para colocar no pára-choque da caminhonete que espalhava isopor pela estrada: errar é humano, não melhorar com os erros - um engano.