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Teletrabalho: é bom ficar em casa?
(Jornal da Tarde - 25/01/01)

Como é teletrabalhar? Me perguntou a repórter da revista on-line wwWorking (link inválido) quando completo dois anos diante deste computador, em casa. Sim, sou um teletrabalhador e ao mesmo tempo um telempregador.

Sempre que me perguntam sobre como é essa vida de trabalhar e gerenciar uma empresa pela internet de casa, eu respondo: "estou em uma cidade grande e me sinto no interior, sem necessidade de engarrafamentos, estresse e correrias; quando chove, então, é indescritível não precisar sair...".

Desvantagens: talvez a falta dos encontros que estimulam novos negócios, conhecer mais gente e trocar mais informações do que apenas por e-mail ou ICQ. Mas o custo-benefício de ficar perto das crianças quase o dia todo recompensa.

O teletrabalho é uma tendência, mas não deve atingir a todos. Muitas profissões não se adaptam e muitas empresas e mesmo trabalhadores, não vão tirar proveito disso. Não vamos cair no mito: ou todos vão teletrabalhar ou todos não vão.

O que já previu Domenico de Masi, no livro O Ócio Criativo, da Sextante. Ele considera que a lentidão na evolução do teletrabalho existe por causa de um abismo cultural, "onde a separação da vida de trabalho e doméstica era considerada um fator de promoção social".

E vai além: "os chefes estão acostumados a ter os subalternos na palma da mão". E ainda a vontade que as pessoas têm de se encontrarem dentro das empresas: "É um lugar de paixões, amores, ligações e atrações".

Uma característica, no entanto, é básica para quem se aventura no pedaço.

Acabou a fase do papai e mamãe: você se vira sozinho. Pede-se iniciativa, iniciativa e mais iniciativa, característica fundamental para quem se aventura nesses mares.

Somos seres urbanos e teletrabalhar requer uma reeducação sobre o que é realmente qualidade de vida. Ou ainda: o que você entende como aquilo que você deseja para o seu cotidiano.

A tendência, portanto, é o crescimento sim, pois as empresas já estão fazendo os cálculos para contratar pessoas de qualquer lugar do planeta a custos realmente mais baixos, sem micros, mesas, cadeiras, espaço físico. É o intangível dentro do mundo intangível da internet, o que facilita as mudanças rápidas, que estruturas físicas pesadas não permitem.

IBest - saiu o resultado. E pergunta-se: quem ganhou, ganhou por quê? Muita gente que é TOP vai falir no próximo ano e muita gente que nem colocou o selinho piscante na página, está contando seus lucros há tempos. Falta, nesse prêmio, uma discussão sobre tendências e sites que realmente estão atingindo os objetivos de quem os idealizou; para mim esse é o maior prêmio a ser ganho. Quem sabe para o IBest 2001 teremos menos marketing e mais conteúdo...

 
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