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Me assuste, mas não me castigue!
(Artigos do Nepomuceno - 25/07/02)

Querem ler uma história trágica?

Um senhor, descrente há anos da economia do Brasil, comprou dólares ao longo de toda a vida, guardou-os no cofre de casa e nunca mais mexeu.

Ali, imaginava estar o pote de ouro para uma velhice tranqüila.

Quando realmente precisou do dinheiro, já aposentado, resolveu abrir o esconderijo e teve um grande choque: as notas haviam apodrecido, atacadas por fungos.

Lembrei do fato esta semana. Um dos meus discos rígidos deu pane e não consegui acessá-lo. Todos os meus dados estavam nele.

Não são moedas, mas têm seu valor. A incerta recuperação do equipamento custa hoje no mercado de R$ 300 a R$ 800.

Era a hora da verdade. Analisar se realmente a metodologia cotidiana de preservação dos meus dados era a mais adequada.

O meu cofre, entretanto, estava também um pouco "úmido": muitas informações recentes não se apresentaram atualizadas.

Consegui, com dificuldade e ajuda de amigos, recuperar o disco rígido.

Durante a semana pensei bastante sobre o problema e modifiquei a sistemática de encarar a preservação dos documentos.

Meus arquivos completos, mesmo compactados, ocupam mais de três CDs. Na verdade, a maioria desse volume é de informações que não consulto há anos.

Passei todos os dados antigos para CD-Rs de boa qualidade (Sony) e limpei as pastas de trabalho. Produzi etiquetas bem documentadas para fácil identificação de cada um deles.

Criei também um diretório "arquivo_morto" no computador. Assim, tenho cópias garantidas no CD e uma recuperação rápida no disco rígido.

Dessa forma, eliminando centenas de arquivos desnecessários, posso agora fazer cópias diárias do que é fundamental.

Selecionei as pastas dos documentos recentes e das mensagens do programa de correio, as assinaturas, as respostas-padrão e os filtros.

E ainda os modelos e o dicionário pessoal do Word, além dos Favoritos do Internet Explorer, o Quick Launch do Windows (onde estão as configurações das minhas barras de rodapé) e os dados do Palm.

Todos os itens acima somados não passaram compactados para 5 MB e levam não mais do que cinco minutos para serem salvos do meu computador para a Internet e para o CD-ROM regravável.

Periodicamente, retirarei os documentos mais antigos sistematicamente do backup diário e os passarei para o arquivo morto tanto no disco rígido quanto nos CDs.

O processo realmente precisa ser fácil e confortável. A melhor ferramenta que encontrei para realizá-lo foi a brasileira Brazip (www.brazip.com.br), que é um shareware.

Ela permite:

- Gravar os dados em formato .zip em três lugares diferentes, ao mesmo tempo. Por exemplo: uma máquina da rede local, o CD e a internet, via FTP.

- Criar um atalho na área de trabalho, para acionar o script rapidamente.

- Atualizar automaticamente os diretórios, incluindo os itens apagados, concluir a operação, mesmo com erro, e informar os arquivos que não foram copiados adequadamente.

- Programar as datas de atualização.

Moral do artigo: tive a chance de recuperar meus dados no disco rígido por pura sorte e repensei o processo.

Recordei, na seqüência, de um antigo ditado que diz:

"Senhor, me assuste, mas não me castigue!"

Amém!

 
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