Um amigo saiu de férias e prometeu à esposa que não acessaria a internet durante as três semanas da viagem do casal.
Ele me revelou que depois que instalou a conexão de banda larga em casa diminuiu consideravelmente o tempo de leitura de livros.
Ele agora surfa em uma quantidade maior de jornais de todo o mundo e criou o hábito de repassar as informações relevantes para os amigos. Fica, assim, muito mais tempo diante da tela.
Uma outra amiga me conta as aventuras nas salas de chat, que freqüenta há um ano. As pessoas que conheceu, as brincadeiras, as horas diante do computador.
Ela é solteira, já teve encontros pessoais e se diz satisfeita com a experiência.
Uma pesquisa feita pelo instituto americano Websense, no mês passado, com 300 empregados de grandes empresas dos EUA demonstrou que 25% deles confessaram que estão viciados na rede.
E notem: os números são apenas dos que assumiram essa condição, sem falar nos enrustidos!
Veja mais detalhes em www.websense.com/company/news/pr/02/082102.cfm .
Considero que o problema tem ficado mais agudo pela mudança da forma de conexão dos usuários.
Enquanto estávamos conectados por linhas discadas, as contas do provedor e do telefone eram o que os psicanalistas gostam de chamar de princípio da realidade.
Poder ficar 24 horas por dia na rede, seja em casa ou no trabalho, abre uma nova perspectiva para nossos viciados pensamentos.
Vejam o caso do chat, por exemplo. A meu ver, existem duas formas de interagir com eles, que podem variar de acordo com fases emocionais de cada um e de pessoa para pessoa.
Você entra como se fosse a um bar para conhecer gente nova, trocar e-mail, números de ICQ, fotos, telefone, e as encaixa em sua vida cotidiana.
Ou opta por criar um personagem que se esconde do mundo, desperdiçando horas de seu tempo em uma fantasia consigo mesmo.
O limite entre o uso sadio e o doentio é tênue e tem lotado as salas dos terapeutas de todo o planeta para separar um do outro.
Uma tese interessante sobre as causas de nossos vícios cotidianos, e agora os virtuais, é de Stephen R.Covey, que andou recentemente pelo Brasil proferindo palestras e divulgando o best seller da editora Sextante Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes (o título é bobo, mas o conteúdo, bom).
Ele defende a tese de que toda pessoa que leva uma vida muito estressante e lida diariamente com crises, problemas urgentes e projetos com data marcada tende a gastar o tempo em atividades nem sempre relaxantes, que não eliminam a causa principal e criam um círculo vicioso.
Na verdade, a hora de lazer aguça, muitas vezes, o estresse, como ficar o fim de semana em uma sala de chat ou jogando paciência.
A sugestão de Covey é se aprofundar naquilo que você realmente quer da vida, prevenir, a partir daí, os problemas que virão, identificar as novas oportunidades, desenvolver relacionamentos, delegar e planejar bastante, inclusive, a recreação.
Ou seja, não tem jeito: há horas em que a solução é literalmente digital.
Coloque o dedo indicador no botão Power e desligue literamente o seu computador. Depois, vá à vida!