Quando você imagina alguém navegando pela internet, pensa logo que ele está visitando sites, certo?
Errado.
A pesquisa da Nielsen/NetRatings, publicada na Revista Info deste mês, quebra esse mito. Pela ordem, eis a prática diária dos internautas brasileiros no primeiro trimestre deste ano:
Ler e responder e-mails,75%;
Responder mensagens no ICQ e similares,42%;
Participar de chats, 41%;
Ouvir rádio, 40%;
Procurar conteúdo multimídia, (leia-se MP3), 35%.
Onde estão as visitas a websites?
Na verdade, esse resultado reforça um sentimento antigo: a rede começa a entrar na rotina do lar e vai se "televisionando".
Digitar uma URL no navegador parece estar fora de moda: http://, depois www, algumacoisa, mais ponto, mais letras, outro ponto, br.
Quem está acostumado a colocar um saco de pipoca na barriga e ficar zapeando o controle remoto da tevê no sofá, não tem aceitado outra lógica para mudar de canal na Web.
Queremos, por conforto e cultura, ficar sentados diante do micro e que o mundo venha por e-mail. Assim, basta clicar e entrar no ponto certo de um website.
Hoje, reparem, uma carta digital sem uma URL é cada vez mais rara.
A navegação, então, ganha uma bússola, um filtro, uma indicação, daqueles que sabem nosso endereço de correio
eletrônico. É uma espécie de selo de garantia das páginas que realmente valem a pena, diante de tanto lixo.
Essa mudança de hábitos é o que caracteriza a nova internet doméstica massificada. Um ponto de reflexão para todos nós.
Nela, teremos de repensar a maneira como criamos e-mails para todos os nossos contatos.
Da mesma forma, que é politicamente correto passear com seu cachorrinho com um saquinho para recolher os dejetos, teremos que nos policiar para não sujar ainda mais as "ruas virtuais".
Na pressa, repassamos mensagens sem pensar se o conteúdo é realmente relevante, consistente, ou interessante para o destinatário.
Imaginem sempre o peso que cada um carrega no seu "ombro" postal e avalie bastante antes de simplesmente, rapidamente e facilmente clicar "Enviar".
Esses pequenos deslizes, entretanto, são até aceitáveis, diante dos novos e, cada vez mais ativos, evangelistas virtuais.
Pessoas que passam os dias a produzir e repassar e-mails para um montão de gente, com as melhores intenções, com mensagens de amor, paz, espiritualidade, piadas, correntes, observações interplanetárias, sem se perguntar se está sendo bem recebido pelos leitores (ou seriam vítimas?).
Acredito que, por falta de esclarecimento, acham que o envio de mensagens sem fins comerciais não são spams."Eu não ganho nenhum dinheiro com elas!", dizem.
O termo spam é, hoje, sinônimo de mensagens não-solicitadas, vindas de onde vierem. A boa etiqueta exige: só mande cartas eletrônicas para quem lhe forneceu o endereço eletrônico.
Se for algo constante, diário, várias vezes ao dia, só inclua na lista quem implorar e pedir de pés juntos. E, mesmo assim, saiba se está agradando e facilite o caminho de quem se arrepender.
Ser membro de uma boa mala direta é bom, mas ter seu nome na lista de um mala, nem tanto.