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Teclar é preciso?
(Artigos do Nepomuceno - 27/09/01)

Já reparou que ninguém digita em filme de ficção científica? Todos conversam com as máquinas. E cá estou a ditar da poltrona este artigo para vocês e saber se realmente teclar ainda é preciso.

Há seis meses, testo o programa ViaVoice da IBM. Estou na versão 8.0 em português. As últimas cinco colunas já foram produzidas com a ajuda dele.

Aparentemente, um aplicativo como esse seria de grande utilidade para os usuários leigos. Meu pai, por exemplo, se empolgou, comprou e não usa.

As ferramentas de reconhecimento de voz, infelizmente, ainda são para os iniciados. Elas precisam aprender o jeito que você fala, um processo lento e demorado, até se chegar a uma produtividade razoável.

Exige uma dose de paciência que apenas os mais experientes no uso da informática já têm. A comunicação é feita de uma forma um pouco diferente.

Observem um tipo de ditado:

”Sim (vírgula) vou iniciar esta frase (vírgula) mas é necessário terminá-la de algum jeito (ponto) (nova linha)”

O produto é fundamental para deficientes físicos com problemas nas mãos ou de visão. Ou pessoas que escrevem bastante. E ainda aos que querem mais conforto, como sair, por exemplo, de uma cadeira vertical e ir, de vez em quando, sentar uma mais horizontal.

Um exemplo: necessitava transcrever um vídeo de quase uma hora. O que fiz? Enquanto tocava a fita, ditava para o microfone e transcrevia facilmente tudo para o computador.

O programa ajuda também na revisão de textos. Aciona-se um pequeno lápis, com um rosto simpático e sotaque americano. Todos os meus escritos são lidos por ele diversas vezes, antes de considerá-los prontos.

A melhora que consigo no documento é inigualável, já que tenho outro a pronunciar em voz alta o que redijo. Diversos erros que passam imperceptíveis na tela, ou mesmo na impressão (que eliminei), tornam-se literalmente gritantes ao serem escutados.

Essas correções finais, entretanto, são feitas no teclado.

Existem duas versões do ViaVoice, a Standard (R$ 190,00) e a Pro (R$ 500,00). A diferença entre elas pode ser vista em:

www-4.ibm.com/software/speech/br/win/comp.html

Há uma promoção para estudantes e professores:
www.br.ibm.com/shop/software/sw_academica.shtml (link inválido)

Nada justifica a Pro, a não ser que você realmente tenha problemas sérios para teclar. E prefira controlar a máquina por voz, um recurso que não me pareceu ainda tão eficaz. A Standard atende totalmente quem quer apenas datilografar menos.

O software exige MUITA memória do PC. O fabricante recomenda 64 MB com o Windows 95/98/NT, mas é pouco. Ele é pesadão: ou fechamos todas as janelas ao executá-lo ou colocamos mais RAM.

Aos usuários, recomendaria usar o recurso para reconhecer previamente os textos mais relevantes existentes no seu HD. Útil também para assuntos novos com termos especializados. Ganha-se muito tempo posteriormente com esse procedimento.

Ao terminar um trabalho, ele vai pedir também para reconhecer os novos vocábulos, tenha resignação e fale todos.

É isso e como diria no dialeto ViaVoice: Bye (virgula) Bye (ponto) (salvar) (arquivo) (sair).

 
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