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Balzac era doido por um computador!
(Artigos do Nepomuceno - 28/03/02)

Balzac era doido por um computador!

Balzac era um escritor voraz e preciosista. Os editores se arrepiavam quando o nosso amigo visitava as gráficas, pois adorava fazer mudanças, rabiscar nas margens brancas do papel, bagunçar as provas prontas para a impressão.

Um exemplo desse hábito pode ser visto em: www.culture.fr/culture/actualites/celebrations/balzac.htm

Na verdade, foram poucos, mesmo os gênios, que conseguiram escrever aos borbotões sem uma boa e demorada revisão.

Hoje, colocamos tudo no micro e vamos pensar depois. É uma nova forma de redigir. Querendo, ou não, somos escravos do revisor ortográfico do computador.

Veja meu caso. Apelo, por exemplo, para um verdadeiro arsenal de aplicativos para produzir meus artigos.

Uso, entre eles, a nova versão 9.0 do ViaVoice da IBM. O programa, além de digitar o que você fala, pode ler tudo depois.

Eu uso apenas a funcionalidade da leitura. Promovo diversas até chegar a uma final, que eu tenha escutado por completo e não alterado absolutamente nada.

Com o auxílio dessa voz externa, consigo um grande apoio para eliminar os erros de concordância e as palavras repetidas.

O ViaVoice, entretanto, pede muita memória e, por causa disso, derruba a máquina de quando em quando. (Eu tenho 376Mb de RAM e ainda não posso dizer se com a 9.0 esse problema foi minimizado).

E mais: custa R$ 200,00, o que não seria tão barato para usá-lo parcialemnte. (O ditado é indicado para quem produz grandes escritos com frequência).

Começei a testar semana passada o Cyber Buddy, um software gratuito, menos pesado, que também lê em português.

Baixe em: thecyberbuddy.com/Page11.html

Depois de instalar, clique com o botão direito do mouse sobre o boneco verde abusadinho e escolha "Options" e depois "Character e Speech Option". Selecione, ali, uma voz masculina ou feminina em português.

Há uma grande diferença no resultado final entre um documento lido pelo micro para um outro revisado com os olhos ou relido em voz alta.

Outros aliados:

Revisões ortográficas - faço inúmeras, usando a tecla "F7" do Word, pois pode parecer incrível: mudamos um parágrafo e novos deslizes aparecem do nada.

Repetições de termos - no Word 2000, marque um muito repetido no trabalho, clique no botão direito do mouse e aponte para "Sinônimos". Use também o novo CD do dicionário Houaiss, que apresenta, dependendo da palavra, diversas opções de termos similares.

Crases - também no Word realizo uma busca no texto para ^wa^w (acento circunflexo + w + a + acento circunflexo + w) e checo uma a uma todas as letras "a" e "as" para verificar se esqueci alguma crase.

Dúvidas genéricas - consulto o Manual do Estadão em: www.estado.estadao.com.br/redac/manual.html

Ou seja, hoje, o ato de escrever está completamente inserido nesse conjunto de recursos.

Imaginem se caíssemos em uma ilha deserta, apenas com várias resmas de papel e uma máquina de escrever manual.

Certamente, ao sentarmos na pedra, debaixo do coqueiro para produzirmos a primeira carta de socorro, perguntaríamos aos nossos perdidos botões:

Afinal de contas, onde estão mesmo os comandos para copiar e colar?

 
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