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Cartel na banda larga?
(Artigos do Nepomuceno - 29/11/01)

Existem muitas perguntas sem respostas quando o tema é a cobrança de valores no serviço de banda larga no Brasil:

Por que um usuário é obrigado a pagar por um provedor de e-mail, quando existem diversas opções, inclusive gratuitas, no mercado nacional?

Por que existe um preço praticamente único entre diversos fornecedores, quando os mesmos fazem uma verdadeira guerra em outras modalidades de negócio?

Por que um usuário no Sul consegue pagar metade do valor pelo serviço de banda larga do que um no Sudeste?

E por que quando esse provedor do Sul - com um valor 20 vezes menor - tenta oferecer os serviços no Sudeste é obrigado a repassar seu preço aos usuários pelo valor igual ao dos outros provedores?

Vejam as origens do problema:

1- Ao anunciar a entrada da banda larga no país, a Anatel recebeu forte pressão dos provedores de acesso discado, que diziam que teriam enormes prejuízos com a chegada do cabo e outras variantes de conexão à Internet;

2- Salomonicamente, a Anatel resolveu que todas as operadoras de acesso em alta velocidade teriam OBRIGATORIAMENTE que oferecer o serviço em parceria com provedores de acesso credenciados;

3- As empresas de banda larga aceitaram, mas, em vez de dividir os prejuízos, resolveram maximizar os lucros: mantiveram seu preço e agregaram à conta dos usuários os custos dos provedores de acesso, que passaram a oferecer apenas e-mails - uma atuação quase simbólica para cumprir a lei.

O problema tem gerado insistentes protestos entre os assinantes dos serviços nas listas de discussão. Ninguém consegue entender ou aceitar pagar quase R$ 70 por mês por uma conta de correio eletrônico, que muitos já têm com outro fornecedor, inclusive, de graça.

Assim, quanto se paga em média mensalmente no Sudeste por esse serviço?

Provedor de banda larga: R$ 70,00;
Provedor de e-mail: R$ 70,00;
Aluguel do modem: R$ 20,00.

O problema se agravou com o alardeado anúncio da chegada no Rio e em São Paulo, semana passada, do provedor BrTurbo, que pertence à Brasil Telecom.

A empresa prometeu que os "banda-larguistas" também aqui pagariam, como no Sul, apenas R$ 3,90 pelo serviço de e-mail, reduzindo quase pela metade o custo mensal de acesso em alta velocidade.

Roberto Orlando Almeida, diretor de marketing e vendas da BrTurbo, justificou o valor:

"O que existe, hoje, é uma cobrança excessiva por parte dos outros provedores, que exploram o consumidor".

Mas na hora de entrar em operação, entretanto, modificaram os valores. Irão cobrar aqui no Sudeste também algo em torno de R$ 70 por um serviço que no Sul custa vinte vezes menos!!!

Ver em: www.brturbo.com.br

Pergunto: todos esses acontecimentos passados e recentes não indicam uma prática de cartelização desse mercado na nossa região?

No próximo ano, as teles, que cumprirem suas metas poderão entrar para competir nos outros Estados, o que vai expandir as ofertas.

Mas, enquanto isto não acontece, esclarecimentos precisam ser dados urgentemente em nome da defesa da tão propalada universalização de acesso e o direto básico do consumidor de ter a garantia de que a concorrência é para valer.

 
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