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Cada fechadura, uma sentença...
(Artigos do Nepomuceno - 30/08/01)

Como sou um pouco distraído, e sempre esqueço a chave na porta, necessitava de um chaveiro que se adequasse ao meu perfil.

Adquiri um com fio comprido de couro que sempre fica preso à calça e é simplesmente impossível deixá-lo do lado de fora da casa, a não ser que passe a dormir na entrada social.

No embalo desta discussão “filosófica” sobre qual é o melhor martelo para cada prego, resolvi mais uma vez saber se já era hora de migrar para o Outlook 2000, como alternativa ao Eudora, que uso há sete anos.

O Eudora, produto da Qualcomm, foi líder do segmento de correios eletrônicos nos primórdios da Net e vem, infelizmente, em decadência. A versão mais atual é a 5.1, gratuita: www.eudora.com.

A empresa – que acabou por se consolidar como uma das principais do segmento de telecomunicações - parece manter o software vivo por uma questão afetiva. Os upgrades estão distantes da comunidade, que fez dele um ícone da rede solidária, como foi também o Netscape e agora é o Linux.

O Outlook 2000 acompanha o pacote do Office. (Não confunda com o Express, também da Microsoft, disponível de graça na rede). Tem uma poderosa integração dos e-mails com tarefas, agenda e endereços.

Permite uma customização completa das telas e criou um sistema bastante simples para se gerar filtros contra spams - uma necessidade premente hoje.

Assim, ele se encaixa para a maioria, desde que você não seja um profissional distribuidor de informação. Ou seja, passe o tempo a receber e despachar missivas digitais para os mais diferentes destinatários - uma atividade cada vez mais em voga entre os trabalhadores do conhecimento.

Nesse caso, o Outlook deixa a desejar. Ele ainda não encara o conceito de modelos de cartas, como algo importante para estar a um clique do internauta em todas as tarefas: criar, responder e repassar. Se limita a gerar um modelo rápido apenas para as novas mensagens.

Explico: se eu quiser criar um tipo de e-mail predefinido para o meu pai, por exemplo, com cópia para minha sogra, com um assunto-padrão, com uma determinada assinatura e ainda sempre o mesmo texto no corpo da mensagem, isto é possível tanto no Outlook, como no Eudora.

Mas para usar corriqueiramente esse recurso, incluindo responder ou repassar, eu clico duas vezes no produto da Qualcomm e umas quatro no de Bill Gates. Se eu trabalho com esta atividade de circulação de documentos pré-produzidos diversas vezes ao dia, multiplicam-se as clicadas e há uma perda sensível de produtividade.

Enfim. o Outlook 2000 é uma ferramenta que realmente integra a vida de uma pessoa em torno da internet e é indicado para profissionais que querem algo mais para se organizar, mas não vivem de despachar mensagens padronizadas. Para isso, ele é pesadão.

Já a versão gratuita do Outlook tem uma série de limitações. E atende apenas a usuários leigos.

Mas se és um profissional da informação, com as características citadas e não quer gastar, pense seriamente no Eudora, enquanto ele durar. Ou torça para que o líder atual aperfeiçoe este tipo de conceito em breve no Outlook 2000 e o no Express.

E, se ainda não utiliza esta facilidade das mensagens-padrão, corra para aprendê-la.

Resumindo a filosofia de fechadura: para cada pessoa, há um tipo de porta-chaves ideal, procure o seu e viva mais feliz.

 
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