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Os blogs estão virando orkuts e chegam às intranets De outro, a Gallup registra que apenas 9% dos internautas lêem blogs regularmente, 11% ocasionalmente, 13% raramente e 66%, a maioria, nunca. A mesma Tecnorati que anuncia a explosão dos blogs detalha que dos 40 milhões existentes, metade posta pouco e apenas 10% postou na última semana. O que mostra a tendência de que o internauta cria o blog no impulso, mas com o retorno baixo das visitas, larga. É o paradoxo da publicação em rede: a mesma ferramenta maravilhosa que facilita a publicação de um, permite o mesmo para milhões, tirando de todos a possibilidade de atenção. Como se sabe e vale repetir: publicar é fácil, o difícil é alguém ler. Foi o mesmo fenômeno que ocorreu nas páginas pessoais dos anos 90, as mães dos blogs, que eram menos ágeis e não permitiam comentários. Antes que o povo do Blog me vaie (de novo) temo dizer que os bons blogs vieram para ficar. Os bens visitados realmente serão poucos e bons. Serão aqueles que conseguirão criar em torno, por uma série de requisitos, uma comunidade de leitores. Uns, pelo mérito exclusivos dos novos colunistas; Outros, principalmente, por já estarem vinculados à mídia oficial (jornais, rádios e tevês); E os que vêm surgindo para abrir canal entre as empresas do mercado com seu público, como é o caso da Boeing, Walt Disney e Mc Donald's, por exemplo. A filosofia por trás dos blogs corporativos, que já tem até consultor e especialista é: se for para falar mal, fale pra mim mesmo! Mas para onde, então, vai o exército dos blogueiros? Sim, eles continuam ávidos de expressão e atenção. Parece que vão conseguir resultados melhores estacionando seus escritos, filmes, fotos, músicas nos ambientes interativos do tipo MySpace e Orkut, no qual é mais fácil aparecer, em torno da comunidade de amigos. O My Space, pouco conhecido no Brasil, é um Orkut melhorado, neto do Yahoo Groups, com espaço para postar fotos, filmes, músicas e escritos, além de outras iguarias. Foi comprado este ano pelo mega empresário da mídia Rupert Murdoch (através da sua empresa RM News Corp) por 580 milhões de dólares, que levou junto o cadastro de 80 milhões de usuários, que crescem a taxa de 270 mil por dia. A febre por esse tipo de ambiente despertou o mercado especulativo da web, que vê surgir uma nova pequena “bolha”, com concorrentes de sites batizados de Social Networking (rede social de relacionamento) por todos os lados: O Bebo este mês recebeu aporte de 15 milhões de dólares da Benchmark Capital; O Yahoo lançou o My Web 2.0, ambiente, em que agrega as listas de discussão do Yahoo Groups e outras firulas interativas; Segundo a Nielson/NetRatings, os sites com ênfase em rede social de relacionamento cresceram 47% no último ano, com o MY Space liderando com taxa de crescimento de 367%, enquanto o Blogger, gestor do blogs, da Google, por exemplo, ficou apenas com 80%. O consultor Ibope já registrou esta tendência também no Brasil na sua última pesquisa: “em relação ao aumento do tempo online, o Ibope Inteligência destaca o crescimento da categoria “comunidades”. Perguntem-me, então, você acredita na tendência destes sites comunitários? Como entretenimento sim, como rede de conhecimento e desenvolvimento social, não; só com projetos induzidos e fechados. O que começará a ocorrer em breve, estimulado dentro e fora das empresas, instituições e governos que importarão lentamente esta cultura para gerar conhecimento e riqueza. Quem prevê isso? Pierre Lévy, o filósofo otimista da inteligência coletiva? Não, a Gartner, empresa de consultoria de tecnologia dos grandes grupos americanos, em seminário ocorrido este mês. Eles afirmam: “Comunidades web provêem rica interação entre empresários, empresas parceiras e consumidores que podem tanto apoiar ou ameaçar a empresa, conforme esta interação seja feita”. Detalham: “Comunidades na web exigem abordagem participativa na qual os usuários não são mais simples consumidores de serviços e conteúdo, mas também agem como criadores, propiciando uma rede de inteligência coletiva”. E complementam: “Como o número de participantes e os tipos de modelos de colaboração tendem a crescer, o poder irá tender cada vez mais para o consumidor, forçando as empresas a agir de forma proativa no mercado e analisar a influência destas comunidades”. É uma proposta de mudança radical nas intranets, como defende o professor da Harvard Business School, de Boston, Andrew P. McAfee. Fala da importância dos novos ambientes colaborativos: “Não são apenas repositórios de informação ou espaços de colaboração, são muito mais do que isso - formas de acumulação do conhecimento coletivo que advém diretamente da experiência, da sabedoria e do julgamento dos próprios usuários”. E propõem: “Os gestores têm de deixar de pensar nas intranets como algo estático, mantido por um pequeno grupo dedicado ao assunto. Têm de pensar as intranets como dinâmicas, como um recurso gerado coletivamente e de responsabilidade de todos”. Chega a ponto de defender a redefinição do que é a gestão do conhecimento nas empresas, em função disso. Ou seja, quem acha que o orkut e similares são apenas brincadeiras de adolescente, não se engane ou espante, um belo dia o jovem, quando menos se espera, vira adulto. [Comentar este artigo] [Ver comentários] [Votar] [Ver resultado da votação]
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