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Em busca do computador invisível

Os sem-editora
31/10/05

Vou lançar no final deste mês o meu novo livro dito literário: "Madrugada no Pasárgada", com poemas e contos.

É o terceiro na linha, todos independentes, tiragens pequenas, iniciativa própria, com apoio de amigos e parentes, que sempre comparecem na noite de autógrafo.

Existem várias alternativas para imprimir obras como essa.

As gráficas tradicionais que aceitam o mínimo de 250 exemplares, que custam em torno de R$ 8 a 12 reais cada cópia, de cerca de 100 páginas.

Ou a produção em impressoras sofisticadas, que permitem produzir apenas um exemplar com um custo de R$ 17 a 25 reais, também com 100 páginas.

A vantagem da primeira é a qualidade do livro, que pode ter um papel melhor, orelha e um tratamento mais sofisticado.

A segunda é mais cara, do ponto de vista de cada exemplar, mas permite imprimir só o necessário, o que compensa - e muito - o custo final. E ainda possibilita pedidos avulsos, acabando com a dor de cabeça de todo autor de ver seu livro esgotado.(Optei por ela).

Os novos recursos tecnológicos estão abrindo a nova primavera das gavetas esquecidas. Ou seja, quem tem algo para publicar, agora não tem mais desculpa.

Já incentivei diversos amigos a publicar nesse novo modelo, desde apostilas de aulas, coletânea de poemas, livros sobre a mulher moderna, receitas caseiras, entre outros.

A Neewsweek publicou este mês um artigo sobre o tema: http://www.msnbc.msn.com/id/9378645/site/newsweek.

Nele, apresenta produtores musicais, de vídeos e de livros, que começam a ocupar um pequeno grande mercado dos públicos segmentados, que procuram fugir da mídia tradicional.

Sobre o assunto há muita polêmica.

Li no Globo no dia 24/09/05 a entrevista do escritor americano Philip Roth, que pessimista afirmou: "A literatura está morrendo. Não por falta de bons escritores, o público é que morreu".

Não acho que morreu, está mudando. E muito!

Temos hoje Internet, centenas de canais a cabo, milhares de livros, filmes de todos os tipos. A concorrência aumentou - e muito - e vai crescer mais e mais.

Mas, por outro lado, hoje somos bilhões diversificados. Estamos criando tribos virtuais de todos os tipos.

(Quem gosta dos vasos chineses do século XII já pode encontrar alguém para bater papo).

Assim, muda-se o paradigma: o pequeno tem espaço, pode publicar e alguém de algum lugar do mapa consegue achá-lo.

Ocorre o fenômeno da segmentação, da conquista de um novo (micro) público. Surge, assim, uma nova demanda, que diversas pequenas editoras procuram ocupar: oferecem o serviço da chegada dos novos artistas independentes para o público diretamente interessado.

Quem sabe ainda veremos algo do tipo:

"Quero receber impresso uma coletânea de autores novos de contos policiais brasileiros produzidos depois de 1990".

Monta-se e manda-se.

 

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